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Resumo e análise do livro: A Cidade e as Serras - Eça de Quierós.

Personagens:


Jacinto – O protagonista, é chamado pelo narrador de Príncipe da Grã-Ventura, nasceu e foi criado em Paris, é filho de uma família de Fidalgos Portugueses. Odeia a vida no campo, mas acaba mudando de ideia quando vai a Portugal promover o transporte dos ossos dos avós .

Joaninha – Prima de Zé Fernandes, camponesa portuguesa saudável e rústica. Moça simples e boa, nascida na serra. E Jacinto se casa com ela.

José Fernandes – Narrador-personagem, amigo de Jacinto desde os tempos de estudante, quando os dois moravam em Paris. É um homem rústico nascido na serra, não se deixa contaminar pelas idéias do amigo, mas aproveita-se do luxo e do conforto cultivados por ele.

Cintinho – Pai de Jacinto, homem de saúde frágil e temperamento sombrio.

Grilo – O mais antigo criado de Jacinto, negro que desde a infância acompanha o patrão. Havia sido levado a Paris por dom Galião. Aceita todas as decisões do patrão sem reclamar. Simples e ignorante, mas sempre consegue definir os estados de alma de Jacinto.

Jacinto Gailão – Também chamado dom Galião. Avô de Jacinto.

Tia Vicencia - tia de José Fernandes, é uma senhora simples, boa e religiosa. Sua excelência na cozinha não agrada só o sobrinho mas também Jacinto.

Enredo:

Em “A Cidade e as Serras”, a cidade é a capital francesa, Paris, e as serras são Tormes, no interior de Portugal. O nosso Narrador- personagem José Fernandes, amigo de Jacinto, percebe - e nos conta - que Jacinto vai se decepcionando com a superficialidade das pessoas, com o barulho da cidade, com a tecnologia que sempre o deixa na mão. Vale lembrar, que o nosso protagonista vive em Paris, em sua mansão na Avenida Campos Elísios (Les Champs Elysées), número 202, em que a todo tipo de modernidade e luxo. Grilo, o criado fiel de Jacinto, conta ao nosso narrador que o mal de seu patrão "era fartura", e em um conflito existencial Jacinto começa a achar que Paris era uma ilusão.
  Um dia Jacinto decide mudar para sua propriedade rural, localizada em Tomers, onde seus avós estavam enterrados, e Jacinto afirma que entrará nas serras o "202", todavia, as coisas não deram certo, as malas da viagem ficaram perdidas e os dois viajantes a pé para atravessar a serra e como ninguém da casa sabia da chegada dos amigos, não havia conforto, pois nada estava preparado para recepcioná-los. Sem saber viver sem conforto, nosso protagonista, irritado,  afirma que iria a Lisboa, mas Melchior, caseiro da casa, arranjou-lhe comida simples, quanto a louça não era nada de cristal ou porcelana... "Diante do louro frango assado no espeto e da salada (...) a que apetecera na horta, agora temperada com um azeite da serra digno dos lábios de Platão, terminou por bradar: 'É divino'."
  Jacinto muda-se para o campo, passa a cuidar do humildes, procura trazer a "civilização" ao interior de Portugal, em uma das festas promovidas no interior, percebemos o quão é o atraso e a ignorância dos camponeses que ali viviam. Em uma das visitas a família do amigo, conhece Joaninha, uma camponesa tipica, casa-se com ela e tem dois filhos...
"E na verdade me parecia que, por aqueles caminhos, através da natureza campestre e mansa - o meu Príncipe (..), a minha prima Joaninha (...) e eu (...), tão longe de amarguradas ilusões e de falsas delícias (...), seguramente subíamos para o Castelo da Grã-Ventura."

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Resumo e analise do livro: O cortiço - Aluízio Azevedo.

Boa tarde manolos, é com muita revolta que hoje faço uma pequena análise e resumo do livro O cortiço, isto
por que o livro é um lixo, salvo as críticas, mas em suma, é um péssimo livro.

A obra é narrada em terceira pessoa, com narrador onisciente - aquele que tem conhecimento de tudo - o narrador entra na mente dos personagens e faz julgamentos. O tempo ocorre de maneira linear, a história se desenrola no Brasil do século XIX, não a prescrição de datas. A história se passa no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro, onde há dois espaços explorados: O cortiço, onde há uma mistura de raças, presença das classes baixas, e o sobrado de Miranda, que simboliza a burguesia, o que até hoje não é difícil de se encontrar um condomínio luxoso, ou um hotel, ao lado de uma favela.

 Personagens: 

João Romão: Um português miserável, ganancioso, baixo, cabelos à escovinha, barba sempre por fazer, avarento e oportunista, invejava Miranda, amigado com Bertoleza.

Miranda: Comerciante, português, invejava João Romão, odiava sua mulher (Dona Estela), forte para desejar e fraco para resistir aos desejos.

Bertoleza: Negra, escrava, trabalhadeira, batalhadora, amigada com João Romão.

Rita Baiana: Mulata baiana, provocante, sensual, bonita, festeira, farto cabelo crespo e reluzente, respirava o asseio das mulheres brasileiras, irrequieta, quadril rijido, dentes claros e brilhante, amada por todos.

Firmo: Amande da Rita Baiana, mulato bonachão, delgado de corpo e ágil como um cabrito, burro de marca, pernóstico, só de maçadas e todo ele se quebrando nos seus movimentos de capoeira. Teria seus trinta e tantos anos, mas forte, não tinha músculos, tinha nervos, tinha um bigodinho crespo, petulante, grande cabeleira encaracolada, negra, dividida ao meio da cabeça, escondendo parte da testa e estufando em grande desalinho por debaixo da aba do chapéu de palha, que ele punha de banda, derreado sobre a orelha esquerda.

Jerônimo: Português trabalhador, forte, alto, honesto, idade de trinta e cinco a quarenta anos, espadaúdo, barba ásperas, cabelos pretos e maltratados.

Piedade: Portuguesa dedicada ao marido ( Jerônimo ), aproximadamente trinta anos, boa estatura, carne ampla e rija, cabelos fortes de um castanho amarelado, dentes pouco alvos, mas sólidos e perfeitos, cara cheia, fisionomia aberta, um todo de simplicidade toleirona, desabotoando-lhe pelos olhos e pela boca numa simpática expressão de honestidade simples e natural.

Pombinha: Pura, delicada, inteligente, íntegra, moça de família, bonita, nervosa, loura, muito pálida, abusada sexualmente por sua madrinha mudas suas condutas morais e acaba se tornando prostituta, descrita como a flor do cortiço.

Resumo:
 João Romão recebera do patrão, uma venda e mais um conto e quinhentos em dinheiro, dominado pelo delírio de enriquecer, João se autoflagela, dormia sobre o mesmo balcão que trabalhava, vendia os melhores legumes e comia os piores, pagava sua vizinha Bertoleza, uma escrava casada com um velho português, que viria mais tarde a morrer. João Romão demostra interesse por Bertoleza, que logo confiou-lhe tudo o que tinha juntado para pagar a sua liberdade e quando deram por fé, já estavam amigados. Aos poucos João foi ampliando seu terreno, construindo mais casinhas. João era o tipo de pessoa que deixava de pagar sempre que podia, mas nunca de receber, roubava nos pesos, enganava os fregueses... e foi assim que ele comprou uma parte da bela pedreira, donde colocara seis homens a quebrarem pedra e outros seis a fazerem paralelepipedo, e dentro de um ano e meio arrematava todo o espaço entre suas casinhas e a pedreira, Miranda que comprara a casa ao lado propõe negócio a Romão, mas o taverneiro recusa, causando um atrito entre ambos.
  Pombinha uma ilustre figura do cortiço, moça de família, escrevia cartas e lia o jornal a quem quisesse ouvir, tinha seu noivo João da Costa, moço de futuro e querido por todos, mas Dona Isabel não queria que o casamento fizesse já, visto que, a moça já beirava aos 18 anos e suas regras ainda não havia vindo. Sua madrinha Léonie, uma prostituta de casa aberta, tinha um imenso carinho pela afilhada. Certa vez, quando pombinha e sua mãe Dona Isabel, vão visitar Léonie, esta que se aproveita do cochilo que sua comadre tira para abusar sexualmente de sua afilhada... Pombinha vira moça e casa-se com João Costa, que no fim dos primeiro s dois anos de casada ja não suporta mais o marido, o abandona e acaba virando prostituta ...     
   Rita baiana, uma mulata festeira chega ao cortiço depois de uma ausencia de meses, ela mantinha um caso com Firmo, mas logo aparece Jeronimo um português de seus trinta e poucos anos, que fora contratado para trabalhar na pedreira de João Romão, Jeronizava mo vê Rita baiana dançar em uma roda se samba... Firmo se sente ameaçado e resolve partir para cima de Jeronimo, que fica gravemente ferido por uma navalha ... Quando se recupera Jeronimo decide amara uma emboscada a Firmo, matando-o a pauladas... Jeronimo e Rita vão se embora do cortiço... Uma transformação lenta e profunda ocorre nele, gastava mais do que guardava, sua energia acabava lentamente, assim, pouco a pouco, Jeronimo abrasileirou-se...
   Miranda, um comerciante que veio para o Brasil com a intenção de fazer-se senhor dele, mas acaba virando escravo de Estela - sua esposa- uma brasileira mal educada e sem escrúpulos de virtude, o pobre coitado nem sequer gozava o prazer de ser pai... Henrrique tinha quinze anos quando chegara a casa de Miranda, filho de um rico fazendeiro, se preparava para entrar na faculdade de medicina, a mulher de Miranda tinha por este garoto uma feição sem limites: dava-lhe toda a liberdade, dinheiro, levava-o a passeios, e muitas vezes chegava a fazer ciúmes na filha de apegada que era ao rapaz... Certo dia, o velho Botelho - advogado da família - descobre Estela  entalada entre o muro com Henrrique... Miranda vendo que os negocios de João Romão prosperavam, resolve "oferecer" a mão de sua filha a João, este que invejava Miranda por seu titulo de Barão... Mas tinha um unico problema, Bertoleza, a escrava com quem era amigado, para se casar com Zumira, João precisava se livrar de Bertoleza, então ele decide procurar o dono da escrava para que assim pudesse se livrar dela, mas quando seu dono vai buscá-la, a velha Bertoleza se recusa a voltar a escravidão e para fugir deste triste destino, a escrava rasga a sua barriga com uma faca, morrendo ali, na frente dos guardas e de João... João recebe um titulo de abolicionista,  casa-se com Zumira...


Análise: 
O cortiço faz uma crítica ao capitalismo selvagem, donde, o personagem João Romão, mantém um cortiço - São Romão - uma taverna e uma pedreira, enquanto seus inquilinos e empregados, se mantém em condições deploráveis, vale lembrar o fato do quão explorados são os empregados de João Romão. Mostra a inferioridade dos brasileiros em relação aos portugueses, isto é, a visão que os portugueses tinham ou tem dos brasileiros, pessoas inferiores, cheias de vicios, como exemplo temos Estela, mulher de Miranda que tinha o defeito da traição - mas só por que ela era brasileira .

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Resumo e Análise do livro: Vidas Secas - Graciliano Ramos.


     



          Um grupo de nordestinos, uma cadela e, no inicio, um papagaio, abem em retirada. Para a sobrevivência do grupo, é travada um luta incessante incluindo o sacrifício do papagaio e a mesquinha contribuição de Baleia ( cadela ) através da caça de uma preá, servindo para adiar a morte do grupo. Após tempo de caminhada, abrigaram-se em uma fazenda abandonada. Vêm as chuvas, Fabiano oferece seus préstimos de vaqueiro e continua na fazenda consciente de sua transitoriedade naquelas paragens, quer porque o patrão poderia expulsá-los a qualquer instante, quer pela seca, terror constante por ser um processo cíclico e real. Nesse intervalo, Baleia morre. Quase desamparados, partem em busca de novas terras quando chegam as secas, mas desta vez fugindo para a cidade grande, acalentados pela esperança de uma vida melhor.
       Dos elementos constitutivos de Vidas Secas podem ser destacados: a paisagem, a linguagem e o problema social, todos eles entrelaçados.
Segunda geração do modernismo ( 1930 - 1945 ).

    Publicado em 1938, Apresenta uma ruptura em relação aos romances anteriores por apresentar foco narrativo em terceira pessoa. A postura assumida em Vidas Secas volta-se para a análise de caracteristicas mais objetivas, com personagens não entregue a própria sorte, mas dirigidos, em seus destinos, pelas mãos do narrador. Desta forma, a revolta egoísta, cede lugar ao tratamento mais amplo, compaixão, compreensão e a simpatia.

  • Onisciência do narrador que é capaz de mostrar e friamente a miséria e a situação precária do mundo exterior.
  • Discurso indireto livre, que tem como vantagem permitir ao narrador revelar o interior dos personagens.
   O narrador passa ao leitor não só a paisagem inóspita e os desajustes sociais, como também o modo de ser, pensar e de sentir dos personagens. Cada um dos Treze capítulos constitui uma célula com ritmo próprio.
   A marcação do tempo não é cronológica, a poucas referências a tempo indeterminado, o mesmo ocorre ao espaço, apresentando na amplitude da catinga, em uma certa fazenda, perto de um povoado indeterminado. O capitulo inicial e final contem o mesmo assunto - a família que parte em retirada, - tem, para diferenciá-los, o tratamento espaço temporal. No primeiro - "Mudança" - no último - "fuga"- interessante como são sugestivos os vocabulários; fuga acrescenta ao significado de mudança o tom fatal imposto pelo fato de rumar ao encontro.
  Elementos humanos da família:
Fabiano: Homem rude, de pouco falar. Assusta-se com o desconhecido, é desconfiado e é manipulado pelos poderosos. Identifica-se com os bichos, o que denuncia a condição sub humana a que está confinado.
Sinhá Vitória: versão feminina de Fabiano. Seu sonho é ter uma cama de couro, igual a de Seu Tomás da bolandeira.
Os meninos:  referidos como "o menino mais novo" e "o menino mais velho", o texto deixa a entender que os meninos perpetuarão a um estilo de vida dos pais, num circulo vicioso.
Baleia:  A cadela personagem que mais se assemelha a um "ser humano" é solidária, atenciosa, amiga é o elemento que confere humanidade ao grupo.
Soldado-Amarelo: Símbolo do poder autoritário, que subjuga Fabiano e todos aquele que como ele vivem.
    A obra tem como elo dois aspectos: a miséria do mundo físico ( paisagem ) extensiva ao mundo intelectual ( linguagem ) dos retirantes, o segundo, decorrente da carência de linguagem, deixa transparecer a mundividencia de cada um deles...

                                               


                                               

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Analise do livro: Memorias de um sargento de milícias - Manoel Antonio de Almeida

         Memórias de Sargento de milícias de Manoel Antônio de Almeida, e diferente do que muitos falam não é um livro tão ruim assim, digo que é um livro um tanto curioso, e diferente da minhas postagens (anteriores) analisando e resumindo livros, esta aqui eu apenas analisarei .
 Acabo de ler o livro
   Memórias de Sargento de Milícias, foi publicado em 1852 e 1853 em folhetins, o livro foi lançado em 1854, é narrado em terceira pessoa, narrador onisciente, o que nos faz refletir sobre o título do livro, já que "Memórias" é um livro escrito em 1º pessoa do singular, um exemplo é o livro Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis, quem conta a história ? Brás Cubas; Memórias de um sargento de milícias, quem deveria contar a história ? O sargento de milícias é claro, mas não é o caso deste livro, então por que o livro é chamado "memórias" se não é o sargento que conta a história ? Simplesmente porque o livro começa assim: "Era no tempo do rei ..." que rei era esse ? Dom João VI, ele que veio ao Brasil em 1808, e como eu já mencionei, o primeiro folhetim foi publicado em 1852, é como se alguém te dissesse, "olha eu vou te contar um história, que se passou no tempo do rei..." e se essa pessoa vai te contar uma história que se passou a muito tempo atrás, essa história chama-se o que ? Memórias ! A enunciação (data em que foi escrito) é diferente do enunciado (data em que se passa a história) por isso chama se "Memórias".

      Os romances românticos eram classificados por:
Romances Urbanosex: Senhora - José de Alencar cujo falava da burguesia,vaidade, festa de salões, Sarau e etc.
Romances Indianistas: ex; O guarani - Jose de Alencar, traz o índio e o costume indígena, expressão de nacionalidade.
Romances regionalistas: aborda questões sociais a respeito de determinadas regiões do Brasil, destacando características de cada região, linguajar típico e etc. mas este não se enquadra em nenhuma destas classificações e tampouco a Romances históricos. Memórias de um sargento de Milícias, é o nosso primeiro Romance malandro, a nossa literatura é cheia de malandros, que vive do "jeitinho", favoritismo", que vive de prazeres, outra classificação atribuída a este clássico é de Romance picaresco, para quem não sabe o romance picaresco é constituído por aquela pessoa que faz de tudo para conseguir o que quer, e quando consegue passa a ser moralista, mas o nosso herói sacaneia apenas por sacanear, um zombeterio, esteriótipo do garoto da carioca da Gema, garoto de praia, esperto,no entanto, a linguagem é picaresca e jornalistica, cheia de humor, ironia, sarcasmo, e tudo isso para fazer critica.

   Quanto aos personagens:
   Leonardo Pataca ( pai ) sai de Portugal e vem para o Brasil para ser um meirinho, (oficial de justiça), no navio, ele encontra uma saloia (moça simples do campo), chamada Maria-da-Hortaliça, (quituteira), ele passou por ela, ela não deu "bola", encostou ao lado dela, ela não de bola, e ele deu um tremando pisão, e ela revidou com um beliscão nas costas da mão direita dele, e em seguida ele a puxou e deu lhe um beijo, e vieram a viagem inteira assim, quando o navio esta chegando ao Brasil, Maria começou a sentir certos enjoos; foram os dois morar juntos, e sete meses depois Maria da a luz a um menino... Eu pergunto a vocês: No Romantismo- Romântico, onde é que as mulheres faziam sexo antes do casamento ou iam morar com um homem sem se casar ou sem o consentimento dos pais ? Nunca, porque o romantismo romântico mera religioso, e se é religioso o amor é o que ? Platônico. Agora vocês pensam em um individuo lend um livro desse em 1852 ? kkk
    Desse namoro nasce Leonardo Pataca (filho), filho de uma pisadela e um beliscão ...
"Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enjoos: foram os dois morar juntos; e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão, sete meses depois teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história." (Gostaria de esclarecer esta estrofe)
  Leonardo não é o herói da história, mas sim, o nosso anti herói, por que o herói não é chorão, gordo, mesmo porque criança que nasce com 7 meses não nasce gorda e cabeluda... Segundo elemento: De quem é o filho ? O autor apenas diz que é filho de um beliscão e de uma pisadela, mas Maria se deitava com varios homens... Leonardo repara algo estanho, sempre quando volta do trabalho observa que na porta da sua casa sempre tem homens... Até que um dia ele chega em casa, e pega Maria com o Capitão do navio na cama, o cara ficou tão puto que deixou os documentos de oficial de justiça em casa e correu atras do cara, volta briga com a mulher, e vê que seu filho havia rasgado seus documentos, ele pegou o moleque pelo o ombro levantou-o e deu-lhe um pontapé na bunda "és filho de uma pisadela e de um beliscão" disse o pai, e pôs o garoto para fora de casa ( que vai morar com o padrinho ), a Maria das hortaliças sai de casa e vai morar com o capitão do navio, em pleno segundo capitulo do livro, vocês acham que isso é livro romântico ? kkk

       Leonardo pataca (pai) se envolve com uma cigana, ela apenas queria um caso, mas ele se apaixonou por ela, com medo de perder a amada ele resolve fazer uma macumba para prender moça, eis que surge Major Vidigal representando a justiça, a ordem,( podemos comparar essa cena as favelas do Rio onde mora boa parte da bandidagem e quando tem copa, ou uma pessoa importante vem ao Brasil, o governo trata de mandar o exercito para passifica- las) e como no livo a família real estava vindo para o Brasil o major subiu ao morro justamente para colocar “ordem” no local e como macumba era algo ilegal portanto o major prende Leonardo pataca...
                                                      ( vamos para o final da história ) 

Apesar da constituição do livro não ser romântica ele apresenta características como tal, tem um a trama amorosa, suspense, final feliz e por isso é considerado um livro romântico, livro que se aproxima do realismo, mas não é um livro realista pois livro realista não tem essas características que eu comentei acima.


leia também: Resumo e analise do livro memorias póstumas de Brás Cubas
resumo e analise do livro o Auto da barca do inferno
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Resumo e análise do livro: Memórias Póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis.

Essa semana terminei de ler o livro Memórias Póstumas de Brás Cubas do escritor Machado de Assis, decidi fazer uma pequena análise e resumo aqui em meu blog, para ajuda - los a entender melhor o enredo da história e não o contrario, ou seja, esse artigo que aqui escrevo, não é para substituir a leitura do livro, pois, seria um pecado, já que o livro é maravilhoso ( é a melhor obra de Machado de Assis ), por isso peço que leiam o livro e depois leiam este artigo... Mesmo por que resumir e analisar esta obra é um trabalho muito extenso por isso pularei algumas partes trabalhando só com o essencial .

Narrador:  1º pessoa, por um morto que se propõe a analisar a si e aos outros. Narrador extoardinário, pois tem um visão completa da vida e da morte.

Cenário: Rio de Janeiro

Personagens

Brás Cubas
- narrador - morto aos 64 anos - “ainda próspero e rijo”, fidalgo. Peralta quando criança, mimado pelo pai, irresponsável quando adolescente, tornou-se um homem egoísta a ponto de discutir com a irmã pela prataria que fiou de herança do pai e tornar-se amante de seu amigo, Lobo Neves, se bem que nesse romance não se pode dizer propriamente que alguém é amigo de outro.

Virgília - filha do comendador Dutra, segundo o pai de Brás, Bento Cubas A “Ursa Maior” amante de Brás Cubas casa-se com Lobo Neves por interesse. Mulher bonita, ambiciosa, que parece gostar sinceramente de Brás Cubas, mas jamais se revela disposta a romper com sua posição social ou dispensar o conforto e o reconhecimento da sociedade.

Damião Lobo Neves - casado com Virgília, homem frio e calculista. Marido de Virgília, homem sério, integrado ao sistema, ambicioso, mas muito mais supersticioso, pois recusou nomeação pra presidente de uma província só porque a referida nomeação aconteceu num dia 13.

Quincas Borba - menino terrível que dava tombos no paciente professor Barata, colega de escola de Brás que o encontrará mais tarde mendigo que rouba-lhe um relógio mas retorna-o ao colega após receber uma herança. amigo de infância do protagonista. Desde criança era de um temperamento ativo, exaltado, querendo ser sempre superior nas brincadeiras. Cubas diz que ele é impressionante quando brinca de imperador. Quando adulto, passa pelo estado de mendigo, evoluindo depois para filósofo e desenvolve um sistema filosófico, denominado Humanitismo, que pretende superar e suprimir todos os demais sistemas até tornar-se uma religião.

Marcela - Segundo grande amor de Brás Cubas, uma prostituta de elite, cujo amor por Brás duraria quinze meses e onze contos de réis. Mulher sensual, mentirosa, amiga de rapazes e de dinheiro. Ganha muitas jóias do adolescente Brás Cubas. Contrai varíola e fica feia, com a pela grassa como uma lixa.

Sabina - irmã do narrador e que, como ele, valoriza mais o interesse pessoa e a posição social do que amizade ou laços de parentesco.

Eugênia - Filha de Eusébia e Vilaça, menina bela embora coxa. Era moça séria, tranqüila, dotada de olhos negros e olhar direto e franco. Tinha “idéias claras, maneiras chãs, certa graça natural, um ar de senhora, e não sei se alguma outra cousa; sim, a boca exatamente a boca da mãe".

Nhá Loló
- filha de D. Eugênia, "é bonita, mas coxa", moça simplória, tinha dotes de soprano - morre de febre amarela.

Cotrim - casado com Sabina, irmã de Brás; ambos interesseiros.

Nhonhô - filho de Virgília.

D. Plácida - empregada de Virgília confidente e protetora de sua relação extra conjugal.

Lobo Neves – casado com Virgília; homem frio e calculista.
 

Resumo e análise:
   “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”, com essa sentença, o escritor, Machado de Assis, encerra um dos seus mais famosos e grandiosos livros: " Memórias Póstumas de Brás Cubas", de 1881, o livro marca o inicio da estética realista, como também a ruptura  do escritor com os padrões românticos. Substituindo a linearidade da narrativa, a preferência pela ação e leve caracterização dos personagens por uma lógica independente da cronologia, que permite o narrador viajar pelo tempo sem perder a ordem dos acontecimentos,possibilitando a inserção de cuidadosas reflexões em qualquer um dos capítulos ou seja, o autor não fica a mercê da necessidade de encadear um assunto após o outro. Mas a grande ruptura se acontece pela preferência do não enredo, mas pela caracterização dos personagens, analisadas através de seus aspectos comportamentais, através da postura que assumem diante dos acontecimentos e da sociedade em que vivem.
    Há duas coisa em especial que chamam a atenção do leitor, assim, logo "de cara" e seriam elas, o fato do livro ser "escrito/narrado" por um defunto e o modo como ela começa a história; do fim para o começo, ele começa da morte e vai até a infância. Assim surge uma duvida no leito - que só será esclarecida no final do livro- Por que um morto resolve escrever suas memórias ?  Brás Cubas, durante sua vida, perseguiu a imortalidade. E segundo ele, várias são as formas para atingi - las; seja por meio do casamento e dos filhos; da política ou de contribuições cientificas. Brás não casou - se, nem teve filhos, não foi político, e sua tentativa de registrar seu nome nos anais da ciência havia morrido com ele - o emplasto. Corroído pelo pessimismo, Brás Cubas tenta articular uma vingança contra a sociedade e, ao mesmo tempo, procura imortalizar - se escrevendo um livro póstumo. O narrador  relata seu enterro com frieza do morto, sem deixar de confessar, que não passa de um fracasso, basta verificar que ao seu enterro compareceram onze pessoas, prova da sua insignificancia, que ele procura justificar pela falta de anuncio e pelo dia chuvoso, uma "mentira" só para satisfazer seu ego... 
   E em um salto o autor retorna a sua infancia, pula a vida academica e passa a adolecencia relatando seu caso amoroso com a prostituta espanhola Marcela, " Marcela me amou por 15 meses e onze contos de réis;nada menos" seu pai percebendo seus gatos com o namoro, resolve manda - lo estudar na Europa. Retorna por ocasião da morte da mãe, ainda abalado passa viver em retiro. Quem o tira desse estado, é o pai, ao propor casamento com Virgilia, filha do Conselheiro Druta, homem de grande influencia politica. Antes, porem,  conhece Nhá Loló, filha de dona Eugênia - velha amiga da família-  enamora - se com ela, ms por preconceito, foge da moça e volta a cidade "É bonita, mas é coxa".
 Certo dia entrando em uma loja reencontra Marcela, que  contrai varíola e fica feia, com a pela grassa como uma lixa.
 Retorna o namoro com Virgilia, que por interesse o  deixa e casa-se com  Lobo Neves. Morre-lhe o pai, seguem-se a partilha da herança, discussões com a irmã (Sabrina) e o cunhado (Cotrim). Começa a viver reclusamente. Após um tempo longe do Rio Virgilia volta, e os dois começam uma relação extraconjungal, que D. Plácida ajuda a esconder.
 Importante também é a amizade com o amigo Quincas Borba, antigo colega de escola, que vive uma vida de miséria, é mendigo, mora no terceiro degrau das escadas de São Francisco e furta o relógio de Brás Cubas. Enquanto pobre o narrador faz questão de mantê-lo  á distância, demonstrando o descaso pela miséria humana. Quanto aos amantes; vivem tranquilos durante alguns meses, até Lobo Neves ser nomeado presidente de uma provincia. Sucedem-se importantes episódios como a gravidez de Virgilia e a profunda decepção do autor com aborto daquele que teria sido seu filho, e um carta surpreendente de Quincas Borba, herdeiro de grande fortuna de uma parante mineiro de Barbacena; o amigo devolve o relógio que havia roubado e lhe apresenta a teoria do humanitismo. Virgilia parte com o marido... Mais uma vez Brás tenta a carreira política, mas ela novamente lhe escapa. Não consegue ser ministro... Quincas Borba não publicara seu livro contendo a teoria filosófica do humanitismo... Brás Cubas testemunha a morte de Lobo Neves  e a do filósofo Quincas Borba, e por fim seu utltimo Capitulo, em que, de negativas consegue extrair um saldo positivo no balanço de sua própria vida,  “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.”. Brás morre da ideia fixa do emplasto- ao abrir a janela para refrescar suas ideias pega uma pneumonia.


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Resumo e análise do livro: O Auto da barca do inferno de Gil Vicente

    Eu decidi fazer esta analise por 2 motivos primeiro por que eu adoro este livro e o acho divertidissimo, segundo para ajudar aqueles que leram o livro a interpreta- lo melhor, já que a linguagem dele é um pouco complicada por ser antiga.
    Pois bem, vamos começar pelos personagens:
os personagens:

o fidalgo-  representa todos os nobres ociosos de Portugal. Prepotente, veste- se com apuro e vem acompanhado de um pagem que lhe carrega uma cadeira de encosto alto. Os personagens, em sua maioria , trazem consigo referências do que foram quando vivos. Nos caso do fidalgo, a cadeira de encosto, o parjem, e a noção de hierarquia  social dilui- se. Ali, o julgamento é moral. O Diabo, que é sempre o primeiro a receber as almas , convida Dom Anrique, o fidalgo, a embarcar. porém, ao saber do destino do  batel , o nobre zomba do convite.
mesmo depois da morte , o fidalgo demonstra a arrôgancia prepotente típica da classe a que pertence . Além do mais , julga-se merecedor da  recompensa divina, pois deixou na vida quem reze por ele.


Onzeneiro ambicioso- Representa os infiéis , que são alheios a fé cristã ; é o agiota que traz consigo uma enorme bolsa vazia, em que  guardava o dinheiro que roubava  das pessoas quando vivo. O Diabo o cumprimenta esfuziante e o trata  por "meu parente". O onzeneiro queixa -se por estar sem dinheiro. O Diabo indica - lhe a barca infernal mas o agiota , ao saber do destino da embarcação, recusa -se a entrar, indo em direção ao batel da glória . O Anjo  o despede, acusando-o pelo exercício da onzena :"Ó onzena, como és feia/ e filha da maldição".

o ingênuo joane -representa o povo português, rude e ignorante, porém bom de coração e temente a Deus. Quando chega ao cais , o Parvo é poe instantes iludido pelo Diabo, que o quer embarcar. Porém, quando é informado do rumo do batel, joane desata um grosso e engraçado xingamento ao Diabo, recheado de pragas e palavrões.

o sapateiro ladrão - Representa os metres de seu oficio. O sapateiro entra carregado de pesadas formas, instrumentos de trabalho que o identificam. Ao saber do destino do batel infernal, pergunta ao Diabo onde esta a barca dos que morreram confessados e comungados. Porém, o arraias  do inferno lembra - o de que por 30 anos , roubara o povo com seu oficio. O remendão ainda recorre ao anjo mais sem sucesso.

o frade namorador - representa os maus sacerdotes. Esta personagem traz consigo a namorada Florença . suas roupas são ambíguas . Além das vestes sacerdotais, o frade apresenta -se com instrumentos próprios para a prática da esgrima. Além de mostrar - se hábil nesse esporte, ainda se revela conhecedor da arte da dança e do canto populares. O Diabo, muito alegre, recebe o casal com graça e convida- o a embarcar. O frade espanta- se . como ele , um religioso, poderá ser condenado? Sempre ao lado de sua namorada, o padre recorre ao anjo. Mas este, num silêncio reprovador , nem sequer lhe  esboça uma palavra. muito apegado aos prazeres do mundo , o frade demonstra em cena uma preocupação verdadeira com a  namorada florença. Essa postura mais humana o aproxima , como personagem, do fidalgo.

a alcoviteira Brísida Vaz -alcoviteira (cafetina), simboliza a degradação moral e a feitiçaria popular. Ela chega ao cais e recusa- se  a entrar na barca do Diabo. Declara possuir joiás e apretechos usados em feitiçaria. contudo, seu maior bem são "seiscentos vigos postiços". O correspondente atual mais próximos do arcaico "virgo" é hímen. Com isso , a fala da alcoviteira revela  que ela prostituíra 600 meninas virgens. Misto de cafetina e feiticeira , Brísiada vaz aproxima - se do Anjo e procura  convencê- lo a embarca- la  com um discurso sedutor, próprio  da arte amatória que tão bem conhecida na prática  da prostituição . Mas é o Diabo quem a recebe co gentileza , pois lhe encanta muito a sordidez deste personagem.

O judeu rejeitado- representa os infiéis, que são alheios a fé cristã. Aproxima- se do batel infernal carregando um bode ás costas. O bode é a insignia do judaísmo. O Diabo, que até então estava sedento de almas, atende com má vontade o judeu. Este, por sua,ao conhecer o rumo da barca, quer embarcar. Mas é reijetado  pelo Diabo sob´pretexto de não aceitar o bode em sua barca. O judeu  tenta suborná- lo, por não pode se separar do animal. Pede, sem resultado , a intervenção  do fidalgo, com quem tinha negócios. O comandante infernal sugere ao judeu a outra barca, mas joane o impede de o aproximar do Anjo, recriminando -o por haver desrespeitado a religião católica . Por instantes, o personagem é condenado a vagar sem destino pelo cais das almas .No final, o Diabo permite que o judeu e o seu bode sigam numa embarcação a reboque da sua.

o corregedor guloso - representa a burocracia jurídica da época. Equivalentes aos juizes atuais, o corregedor entra carregado de autos (processos), que o carecterizam. Convocado pelo Diabo para fazer parte da barca dos danados, surpreende-se e, para argumentar em defesa própria, utiliza-se de um precário latim forense que  se mistura  ao portugues. Ao detupar o latim , língua dos clérigos e dos advogados, na boca do corregedor , Gil Vicente consegue, alem efeito de humor, demonstrar a inconsistencia  da formação dos homens de lei de seu tempo. Em a conversação, chega ao porto o procurador (advogado do estado), reconhecido  pelo corregedor, já que  no mundo trabalharam juntos.

o procurador corrupto -  Carregado de livros (símbolos ), o procurador é convidado pelo comandante infernal a entrar  na barca dos perdidos. Tal como o corregedor, o procurador  nega-se  a embarcar . Os  dois doutores conversam  sobre os crimes que cometeram e juntos dirige- se ao batel do paraíso. O Anjo não os recebe e maldiz a ação dos burocratas. O parvo Joane também intervem, em latim atrapalhado, para acusar os bacharéis. Os dois homens  de lei vão fazer companhia a Brísida Vaz , que em vida estivera constantemente respondendo a processos judicias.

o enforcado testa-de-ferro - É o simbolo da falta de fé e da perdição.O escrivão Pero de lisboa aproxima-se do batel dos mal aventurados. Traz ainda no pescoço a corda com que se enforcou, acreditam do que assim teria a redenção  de todos os crimes que cometera. O Diabo o desilude. Ao que tudo indica, o escrivão era uma especie de "testa-de-ferro", pois praticara  crimes, no exercício do pŕofissão, sob  o comando de seu chefe Garcia Moniz, poupando-lhe -o nome e repassando-lhe os lucros.

Os quatro cavaleiros de cristorepresenta as cruzadas contra os mouros e a força da fé católica. Trazem armas e uma  cruz, simbolo do cristianismo. São cavaleiros que morreram nas cruzadas. Ao passar pelo batel dos danados, são interpelados pelo Diabo, que os requer "Entrai cá! Que cousa é essa?/ Eu não posso entender isto!" Ao que responde um cavaleiro: "Quem  morre por Cristo/ não vai em tal barca, como essa!" Os quatro cavaleiros são recebidos pelo Anjo em seu batel e assim termina a peça.

 Resumo e Análise de O Auto da Barca do inferno - Gil Vicente 


A barca do inferno prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde estão ancorados 2 batéis : um, que se dirige para o paraíso, e outro que transporta almas para o inferno: aquela tripulada pelo Anjo esta, pelo Diabo e seu Companheiro. Neste primeiro Auto Gil Vicente faz chegar à margem as almas  representativas das varias classes sociais e profissionais de seu tempo; a nobreza, representada pelo fidalgo, o clero, representada pelo frade amancebado, a mestrial, pelo sapateiro; a judicial, pelo corregedor e pelo bacharel procurador: a dos agiotas e ladroes, pelo judeu, pelo onzeneiro e pela enforcado, a dos mistificadores, pela alcoviteira. Para estes o destino  é inapelavelmente o rumo de satanás. Não obstante todos argumentem co inúmeras razões o seu direito de embarcar no batel do paraíso, apenas se salvam neste primeiro juízo um parvo (porque "deles é o reino do céu") e quatro cavalereiros - que combateram pela fé de cristo.
     É curioso observar que são 3 destinos e apenas 2 barcas ancoradas: a que conduz ao inferno e a que leva ao paraíso. Gil Vicente consegue fixar admiravelmente aqueles diferentes tipos, apresentados-os na sua autencidade  terrena comprometidos como ainda estão  co seu estilo de vida social ou profissional, ou praticando atos incompatíveis co o seu estado: o fidalgo, rompante e fazendo -se acompanhar de que lhe trans porta uma cadeira, o sapateiro, que pretende ingressar na barca com suas ferramentas de trabalho, o judeu, com o bode ás costas; o onzeneiro, com seu bolsão abarrotado, o frade, acompanhado de sua amante e portando armas de esgrimas (as ordenações proibiam aos frades o uso de armas); a alcoviteira, co seus instrumentos de feitiçaria e cirurgia genital; o corregedor co seus processos, a manipula a justiça consoante as propinas  recebidas. Gil Vicente não perde o ensejo para localizar um aspecto do suborno: a mulher do corregedor estas almas trazem, portanto, da terra, os instrumentos da própria culpa. Apenas o parvo e quatro cavaleiros nada trazem: os pobres esprítos têm uma destinação evangélica já garantida para o reino ao bem- aventurança; e os cavaleiros de cristo estão seguras na confiança que lhes dá a conciêcia se seus feitos nas partes d' além. O texto nos mostra dois extremos onde de um lado -estão aqueles que já em vida foram eleitos  pelo senhor (parvo, quatro cavaleiros da fé); e de outro - pelo frade cujos pecados são ta,anhos e cujo divorcio do reino de Deus é tão profundo, a ponto de ser ele a única ala a não merecer audiência do arraias do céu na barca da gloria..  o Frade era o que vinha mais pejado: trazia pela mão apetrechos de esgrima (espada, broquel, capacete) pratica proibida aos clérigos pelas ordenações; apresenta-se desde o inicio assobiando a música de uma passeada (o tordião), típicas dos salões palacianos; e considera que a remissão de suas culpas está em relação direta com o numero de salmos recitados. O cômico do auto ressalta, não do inesperado das situações ou da  modificação do automatismo, mas tão somente da caracterização dos personagens estilística das diferentes personagens, cujo comportamento é um retrato vivo de sua realidade terrena, e a beleza da peça reside, portanto, no realismo dessa caracterização dos personagens , intimamente vinculadas  a realidade material e á sua condição linguística. É  realmente admirável o realismo linguístico do autor: a linguagem do parvo, caracteristicamente desconexa, chula e aś vezes sibilina, a do judeu, com suas tipicas estropiação fonéticas e morfológicas, a do frade, acostumado á sua terminologia interjectiva de juras e invocação á providência, como formulas inturamente vazias de sentido, o do corregedor, entrelaçando na sua gíria profissonal em latim macarrônico (sempre com o intuito de impressionar os incautos) ; a da alcoviteira, astuciosa,lisonjeira e galantemente hipócrita: a peça vale pela palpitante atualidade com que Gil Vicente passou em revista a sociedade de seu tempo, espectadora da própria representação, e advertida numa lição edificante, dos pecados que a privam da sua salvação eterna.

*A obra expõe elementos da transição  entre idade média, renascimento, reliosidade e antropocentrismo.
* É uma peça teatral do humanismo portugues significa que é uma obra do período de transição entre a cultura medieval e a renacentista.
* É importante diferenciar idade média e os momentos de renacentismo do livro .
*Os elementos medievais são: as referencias religiosas, imagens de Deus e do Diabo; a estrutura  do texto: era muito comum  versus na época, e isso usa- se no livro todo." Auto" designação para peça pequena representação teatral ( também comum na idade média).
* já o antropocentrismo e o interesse de Gil Vicente em abordar questões da sociedade humana construindo os tipos, são do renascimento.
*A peça progride em uma estrutura repetitiva onde um personagem chega ao local onde estão duas barcas um vai pro céu outro pro inferno. entra em uma das brcas; e chega outro personagem e assim se sucede.
*A peça que primeiro recebeu o nome de auto da moralidade  ficou conhecida como auto da barca do inferno talvez tenha este nome por que quase todas as almas tem como destino a barca do inferno.
*Cada alma é punida por um único pecado simbólico.
                           
                                           PECADOS
fidalgo - é condenado a barca do inferno por ter levado uma vida tirana cheia de luxuria e pecados.
onzeneiro- condenado pela ganancia, usura e avareza.
parvo - por causa da sua humilde e modéstia sua sentença é a glorificação.
sapateiro - é condenado por roubar o povo com se4u oficio durante 30 anos e por sua falsidade religiosa.
frade - condenado por seu falso moralismo religioso.
brísida vaz - uma mistura de feiticeira com alcoviteira condenada por pratica de feitiçaria,prostituição e alcovitagem (servir de intermediario em relações amorosas).
judeu- desrespeito ao cristianismo.
corregedor e procurador - condenado- os ao batel infernal por usarem o poder do judiciário em beneficio próprio.
enforcado - corrupção nos meios burocráticos.
quatro cavaleiros que morrem nas cruzadas - O fato de morrer pelo triunfo do cristianismo garante a esses personagens uma especie de passaporte para a glorificação.