SlideShow

Mostrando postagens com marcador resumo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador resumo. Mostrar todas as postagens
0

Resumo e analise do livro: O cortiço - Aluízio Azevedo.

Boa tarde manolos, é com muita revolta que hoje faço uma pequena análise e resumo do livro O cortiço, isto
por que o livro é um lixo, salvo as críticas, mas em suma, é um péssimo livro.

A obra é narrada em terceira pessoa, com narrador onisciente - aquele que tem conhecimento de tudo - o narrador entra na mente dos personagens e faz julgamentos. O tempo ocorre de maneira linear, a história se desenrola no Brasil do século XIX, não a prescrição de datas. A história se passa no bairro do Botafogo, no Rio de Janeiro, onde há dois espaços explorados: O cortiço, onde há uma mistura de raças, presença das classes baixas, e o sobrado de Miranda, que simboliza a burguesia, o que até hoje não é difícil de se encontrar um condomínio luxoso, ou um hotel, ao lado de uma favela.

 Personagens: 

João Romão: Um português miserável, ganancioso, baixo, cabelos à escovinha, barba sempre por fazer, avarento e oportunista, invejava Miranda, amigado com Bertoleza.

Miranda: Comerciante, português, invejava João Romão, odiava sua mulher (Dona Estela), forte para desejar e fraco para resistir aos desejos.

Bertoleza: Negra, escrava, trabalhadeira, batalhadora, amigada com João Romão.

Rita Baiana: Mulata baiana, provocante, sensual, bonita, festeira, farto cabelo crespo e reluzente, respirava o asseio das mulheres brasileiras, irrequieta, quadril rijido, dentes claros e brilhante, amada por todos.

Firmo: Amande da Rita Baiana, mulato bonachão, delgado de corpo e ágil como um cabrito, burro de marca, pernóstico, só de maçadas e todo ele se quebrando nos seus movimentos de capoeira. Teria seus trinta e tantos anos, mas forte, não tinha músculos, tinha nervos, tinha um bigodinho crespo, petulante, grande cabeleira encaracolada, negra, dividida ao meio da cabeça, escondendo parte da testa e estufando em grande desalinho por debaixo da aba do chapéu de palha, que ele punha de banda, derreado sobre a orelha esquerda.

Jerônimo: Português trabalhador, forte, alto, honesto, idade de trinta e cinco a quarenta anos, espadaúdo, barba ásperas, cabelos pretos e maltratados.

Piedade: Portuguesa dedicada ao marido ( Jerônimo ), aproximadamente trinta anos, boa estatura, carne ampla e rija, cabelos fortes de um castanho amarelado, dentes pouco alvos, mas sólidos e perfeitos, cara cheia, fisionomia aberta, um todo de simplicidade toleirona, desabotoando-lhe pelos olhos e pela boca numa simpática expressão de honestidade simples e natural.

Pombinha: Pura, delicada, inteligente, íntegra, moça de família, bonita, nervosa, loura, muito pálida, abusada sexualmente por sua madrinha mudas suas condutas morais e acaba se tornando prostituta, descrita como a flor do cortiço.

Resumo:
 João Romão recebera do patrão, uma venda e mais um conto e quinhentos em dinheiro, dominado pelo delírio de enriquecer, João se autoflagela, dormia sobre o mesmo balcão que trabalhava, vendia os melhores legumes e comia os piores, pagava sua vizinha Bertoleza, uma escrava casada com um velho português, que viria mais tarde a morrer. João Romão demostra interesse por Bertoleza, que logo confiou-lhe tudo o que tinha juntado para pagar a sua liberdade e quando deram por fé, já estavam amigados. Aos poucos João foi ampliando seu terreno, construindo mais casinhas. João era o tipo de pessoa que deixava de pagar sempre que podia, mas nunca de receber, roubava nos pesos, enganava os fregueses... e foi assim que ele comprou uma parte da bela pedreira, donde colocara seis homens a quebrarem pedra e outros seis a fazerem paralelepipedo, e dentro de um ano e meio arrematava todo o espaço entre suas casinhas e a pedreira, Miranda que comprara a casa ao lado propõe negócio a Romão, mas o taverneiro recusa, causando um atrito entre ambos.
  Pombinha uma ilustre figura do cortiço, moça de família, escrevia cartas e lia o jornal a quem quisesse ouvir, tinha seu noivo João da Costa, moço de futuro e querido por todos, mas Dona Isabel não queria que o casamento fizesse já, visto que, a moça já beirava aos 18 anos e suas regras ainda não havia vindo. Sua madrinha Léonie, uma prostituta de casa aberta, tinha um imenso carinho pela afilhada. Certa vez, quando pombinha e sua mãe Dona Isabel, vão visitar Léonie, esta que se aproveita do cochilo que sua comadre tira para abusar sexualmente de sua afilhada... Pombinha vira moça e casa-se com João Costa, que no fim dos primeiro s dois anos de casada ja não suporta mais o marido, o abandona e acaba virando prostituta ...     
   Rita baiana, uma mulata festeira chega ao cortiço depois de uma ausencia de meses, ela mantinha um caso com Firmo, mas logo aparece Jeronimo um português de seus trinta e poucos anos, que fora contratado para trabalhar na pedreira de João Romão, Jeronizava mo vê Rita baiana dançar em uma roda se samba... Firmo se sente ameaçado e resolve partir para cima de Jeronimo, que fica gravemente ferido por uma navalha ... Quando se recupera Jeronimo decide amara uma emboscada a Firmo, matando-o a pauladas... Jeronimo e Rita vão se embora do cortiço... Uma transformação lenta e profunda ocorre nele, gastava mais do que guardava, sua energia acabava lentamente, assim, pouco a pouco, Jeronimo abrasileirou-se...
   Miranda, um comerciante que veio para o Brasil com a intenção de fazer-se senhor dele, mas acaba virando escravo de Estela - sua esposa- uma brasileira mal educada e sem escrúpulos de virtude, o pobre coitado nem sequer gozava o prazer de ser pai... Henrrique tinha quinze anos quando chegara a casa de Miranda, filho de um rico fazendeiro, se preparava para entrar na faculdade de medicina, a mulher de Miranda tinha por este garoto uma feição sem limites: dava-lhe toda a liberdade, dinheiro, levava-o a passeios, e muitas vezes chegava a fazer ciúmes na filha de apegada que era ao rapaz... Certo dia, o velho Botelho - advogado da família - descobre Estela  entalada entre o muro com Henrrique... Miranda vendo que os negocios de João Romão prosperavam, resolve "oferecer" a mão de sua filha a João, este que invejava Miranda por seu titulo de Barão... Mas tinha um unico problema, Bertoleza, a escrava com quem era amigado, para se casar com Zumira, João precisava se livrar de Bertoleza, então ele decide procurar o dono da escrava para que assim pudesse se livrar dela, mas quando seu dono vai buscá-la, a velha Bertoleza se recusa a voltar a escravidão e para fugir deste triste destino, a escrava rasga a sua barriga com uma faca, morrendo ali, na frente dos guardas e de João... João recebe um titulo de abolicionista,  casa-se com Zumira...


Análise: 
O cortiço faz uma crítica ao capitalismo selvagem, donde, o personagem João Romão, mantém um cortiço - São Romão - uma taverna e uma pedreira, enquanto seus inquilinos e empregados, se mantém em condições deploráveis, vale lembrar o fato do quão explorados são os empregados de João Romão. Mostra a inferioridade dos brasileiros em relação aos portugueses, isto é, a visão que os portugueses tinham ou tem dos brasileiros, pessoas inferiores, cheias de vicios, como exemplo temos Estela, mulher de Miranda que tinha o defeito da traição - mas só por que ela era brasileira .

0

Analise do livro: Memorias de um sargento de milícias - Manoel Antonio de Almeida

         Memórias de Sargento de milícias de Manoel Antônio de Almeida, e diferente do que muitos falam não é um livro tão ruim assim, digo que é um livro um tanto curioso, e diferente da minhas postagens (anteriores) analisando e resumindo livros, esta aqui eu apenas analisarei .
 Acabo de ler o livro
   Memórias de Sargento de Milícias, foi publicado em 1852 e 1853 em folhetins, o livro foi lançado em 1854, é narrado em terceira pessoa, narrador onisciente, o que nos faz refletir sobre o título do livro, já que "Memórias" é um livro escrito em 1º pessoa do singular, um exemplo é o livro Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis, quem conta a história ? Brás Cubas; Memórias de um sargento de milícias, quem deveria contar a história ? O sargento de milícias é claro, mas não é o caso deste livro, então por que o livro é chamado "memórias" se não é o sargento que conta a história ? Simplesmente porque o livro começa assim: "Era no tempo do rei ..." que rei era esse ? Dom João VI, ele que veio ao Brasil em 1808, e como eu já mencionei, o primeiro folhetim foi publicado em 1852, é como se alguém te dissesse, "olha eu vou te contar um história, que se passou no tempo do rei..." e se essa pessoa vai te contar uma história que se passou a muito tempo atrás, essa história chama-se o que ? Memórias ! A enunciação (data em que foi escrito) é diferente do enunciado (data em que se passa a história) por isso chama se "Memórias".

      Os romances românticos eram classificados por:
Romances Urbanosex: Senhora - José de Alencar cujo falava da burguesia,vaidade, festa de salões, Sarau e etc.
Romances Indianistas: ex; O guarani - Jose de Alencar, traz o índio e o costume indígena, expressão de nacionalidade.
Romances regionalistas: aborda questões sociais a respeito de determinadas regiões do Brasil, destacando características de cada região, linguajar típico e etc. mas este não se enquadra em nenhuma destas classificações e tampouco a Romances históricos. Memórias de um sargento de Milícias, é o nosso primeiro Romance malandro, a nossa literatura é cheia de malandros, que vive do "jeitinho", favoritismo", que vive de prazeres, outra classificação atribuída a este clássico é de Romance picaresco, para quem não sabe o romance picaresco é constituído por aquela pessoa que faz de tudo para conseguir o que quer, e quando consegue passa a ser moralista, mas o nosso herói sacaneia apenas por sacanear, um zombeterio, esteriótipo do garoto da carioca da Gema, garoto de praia, esperto,no entanto, a linguagem é picaresca e jornalistica, cheia de humor, ironia, sarcasmo, e tudo isso para fazer critica.

   Quanto aos personagens:
   Leonardo Pataca ( pai ) sai de Portugal e vem para o Brasil para ser um meirinho, (oficial de justiça), no navio, ele encontra uma saloia (moça simples do campo), chamada Maria-da-Hortaliça, (quituteira), ele passou por ela, ela não deu "bola", encostou ao lado dela, ela não de bola, e ele deu um tremando pisão, e ela revidou com um beliscão nas costas da mão direita dele, e em seguida ele a puxou e deu lhe um beijo, e vieram a viagem inteira assim, quando o navio esta chegando ao Brasil, Maria começou a sentir certos enjoos; foram os dois morar juntos, e sete meses depois Maria da a luz a um menino... Eu pergunto a vocês: No Romantismo- Romântico, onde é que as mulheres faziam sexo antes do casamento ou iam morar com um homem sem se casar ou sem o consentimento dos pais ? Nunca, porque o romantismo romântico mera religioso, e se é religioso o amor é o que ? Platônico. Agora vocês pensam em um individuo lend um livro desse em 1852 ? kkk
    Desse namoro nasce Leonardo Pataca (filho), filho de uma pisadela e um beliscão ...
"Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enjoos: foram os dois morar juntos; e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão, sete meses depois teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história." (Gostaria de esclarecer esta estrofe)
  Leonardo não é o herói da história, mas sim, o nosso anti herói, por que o herói não é chorão, gordo, mesmo porque criança que nasce com 7 meses não nasce gorda e cabeluda... Segundo elemento: De quem é o filho ? O autor apenas diz que é filho de um beliscão e de uma pisadela, mas Maria se deitava com varios homens... Leonardo repara algo estanho, sempre quando volta do trabalho observa que na porta da sua casa sempre tem homens... Até que um dia ele chega em casa, e pega Maria com o Capitão do navio na cama, o cara ficou tão puto que deixou os documentos de oficial de justiça em casa e correu atras do cara, volta briga com a mulher, e vê que seu filho havia rasgado seus documentos, ele pegou o moleque pelo o ombro levantou-o e deu-lhe um pontapé na bunda "és filho de uma pisadela e de um beliscão" disse o pai, e pôs o garoto para fora de casa ( que vai morar com o padrinho ), a Maria das hortaliças sai de casa e vai morar com o capitão do navio, em pleno segundo capitulo do livro, vocês acham que isso é livro romântico ? kkk

       Leonardo pataca (pai) se envolve com uma cigana, ela apenas queria um caso, mas ele se apaixonou por ela, com medo de perder a amada ele resolve fazer uma macumba para prender moça, eis que surge Major Vidigal representando a justiça, a ordem,( podemos comparar essa cena as favelas do Rio onde mora boa parte da bandidagem e quando tem copa, ou uma pessoa importante vem ao Brasil, o governo trata de mandar o exercito para passifica- las) e como no livo a família real estava vindo para o Brasil o major subiu ao morro justamente para colocar “ordem” no local e como macumba era algo ilegal portanto o major prende Leonardo pataca...
                                                      ( vamos para o final da história ) 

Apesar da constituição do livro não ser romântica ele apresenta características como tal, tem um a trama amorosa, suspense, final feliz e por isso é considerado um livro romântico, livro que se aproxima do realismo, mas não é um livro realista pois livro realista não tem essas características que eu comentei acima.


leia também: Resumo e analise do livro memorias póstumas de Brás Cubas
resumo e analise do livro o Auto da barca do inferno
4

Resumo e análise do livro: O Auto da barca do inferno de Gil Vicente

    Eu decidi fazer esta analise por 2 motivos primeiro por que eu adoro este livro e o acho divertidissimo, segundo para ajudar aqueles que leram o livro a interpreta- lo melhor, já que a linguagem dele é um pouco complicada por ser antiga.
    Pois bem, vamos começar pelos personagens:
os personagens:

o fidalgo-  representa todos os nobres ociosos de Portugal. Prepotente, veste- se com apuro e vem acompanhado de um pagem que lhe carrega uma cadeira de encosto alto. Os personagens, em sua maioria , trazem consigo referências do que foram quando vivos. Nos caso do fidalgo, a cadeira de encosto, o parjem, e a noção de hierarquia  social dilui- se. Ali, o julgamento é moral. O Diabo, que é sempre o primeiro a receber as almas , convida Dom Anrique, o fidalgo, a embarcar. porém, ao saber do destino do  batel , o nobre zomba do convite.
mesmo depois da morte , o fidalgo demonstra a arrôgancia prepotente típica da classe a que pertence . Além do mais , julga-se merecedor da  recompensa divina, pois deixou na vida quem reze por ele.


Onzeneiro ambicioso- Representa os infiéis , que são alheios a fé cristã ; é o agiota que traz consigo uma enorme bolsa vazia, em que  guardava o dinheiro que roubava  das pessoas quando vivo. O Diabo o cumprimenta esfuziante e o trata  por "meu parente". O onzeneiro queixa -se por estar sem dinheiro. O Diabo indica - lhe a barca infernal mas o agiota , ao saber do destino da embarcação, recusa -se a entrar, indo em direção ao batel da glória . O Anjo  o despede, acusando-o pelo exercício da onzena :"Ó onzena, como és feia/ e filha da maldição".

o ingênuo joane -representa o povo português, rude e ignorante, porém bom de coração e temente a Deus. Quando chega ao cais , o Parvo é poe instantes iludido pelo Diabo, que o quer embarcar. Porém, quando é informado do rumo do batel, joane desata um grosso e engraçado xingamento ao Diabo, recheado de pragas e palavrões.

o sapateiro ladrão - Representa os metres de seu oficio. O sapateiro entra carregado de pesadas formas, instrumentos de trabalho que o identificam. Ao saber do destino do batel infernal, pergunta ao Diabo onde esta a barca dos que morreram confessados e comungados. Porém, o arraias  do inferno lembra - o de que por 30 anos , roubara o povo com seu oficio. O remendão ainda recorre ao anjo mais sem sucesso.

o frade namorador - representa os maus sacerdotes. Esta personagem traz consigo a namorada Florença . suas roupas são ambíguas . Além das vestes sacerdotais, o frade apresenta -se com instrumentos próprios para a prática da esgrima. Além de mostrar - se hábil nesse esporte, ainda se revela conhecedor da arte da dança e do canto populares. O Diabo, muito alegre, recebe o casal com graça e convida- o a embarcar. O frade espanta- se . como ele , um religioso, poderá ser condenado? Sempre ao lado de sua namorada, o padre recorre ao anjo. Mas este, num silêncio reprovador , nem sequer lhe  esboça uma palavra. muito apegado aos prazeres do mundo , o frade demonstra em cena uma preocupação verdadeira com a  namorada florença. Essa postura mais humana o aproxima , como personagem, do fidalgo.

a alcoviteira Brísida Vaz -alcoviteira (cafetina), simboliza a degradação moral e a feitiçaria popular. Ela chega ao cais e recusa- se  a entrar na barca do Diabo. Declara possuir joiás e apretechos usados em feitiçaria. contudo, seu maior bem são "seiscentos vigos postiços". O correspondente atual mais próximos do arcaico "virgo" é hímen. Com isso , a fala da alcoviteira revela  que ela prostituíra 600 meninas virgens. Misto de cafetina e feiticeira , Brísiada vaz aproxima - se do Anjo e procura  convencê- lo a embarca- la  com um discurso sedutor, próprio  da arte amatória que tão bem conhecida na prática  da prostituição . Mas é o Diabo quem a recebe co gentileza , pois lhe encanta muito a sordidez deste personagem.

O judeu rejeitado- representa os infiéis, que são alheios a fé cristã. Aproxima- se do batel infernal carregando um bode ás costas. O bode é a insignia do judaísmo. O Diabo, que até então estava sedento de almas, atende com má vontade o judeu. Este, por sua,ao conhecer o rumo da barca, quer embarcar. Mas é reijetado  pelo Diabo sob´pretexto de não aceitar o bode em sua barca. O judeu  tenta suborná- lo, por não pode se separar do animal. Pede, sem resultado , a intervenção  do fidalgo, com quem tinha negócios. O comandante infernal sugere ao judeu a outra barca, mas joane o impede de o aproximar do Anjo, recriminando -o por haver desrespeitado a religião católica . Por instantes, o personagem é condenado a vagar sem destino pelo cais das almas .No final, o Diabo permite que o judeu e o seu bode sigam numa embarcação a reboque da sua.

o corregedor guloso - representa a burocracia jurídica da época. Equivalentes aos juizes atuais, o corregedor entra carregado de autos (processos), que o carecterizam. Convocado pelo Diabo para fazer parte da barca dos danados, surpreende-se e, para argumentar em defesa própria, utiliza-se de um precário latim forense que  se mistura  ao portugues. Ao detupar o latim , língua dos clérigos e dos advogados, na boca do corregedor , Gil Vicente consegue, alem efeito de humor, demonstrar a inconsistencia  da formação dos homens de lei de seu tempo. Em a conversação, chega ao porto o procurador (advogado do estado), reconhecido  pelo corregedor, já que  no mundo trabalharam juntos.

o procurador corrupto -  Carregado de livros (símbolos ), o procurador é convidado pelo comandante infernal a entrar  na barca dos perdidos. Tal como o corregedor, o procurador  nega-se  a embarcar . Os  dois doutores conversam  sobre os crimes que cometeram e juntos dirige- se ao batel do paraíso. O Anjo não os recebe e maldiz a ação dos burocratas. O parvo Joane também intervem, em latim atrapalhado, para acusar os bacharéis. Os dois homens  de lei vão fazer companhia a Brísida Vaz , que em vida estivera constantemente respondendo a processos judicias.

o enforcado testa-de-ferro - É o simbolo da falta de fé e da perdição.O escrivão Pero de lisboa aproxima-se do batel dos mal aventurados. Traz ainda no pescoço a corda com que se enforcou, acreditam do que assim teria a redenção  de todos os crimes que cometera. O Diabo o desilude. Ao que tudo indica, o escrivão era uma especie de "testa-de-ferro", pois praticara  crimes, no exercício do pŕofissão, sob  o comando de seu chefe Garcia Moniz, poupando-lhe -o nome e repassando-lhe os lucros.

Os quatro cavaleiros de cristorepresenta as cruzadas contra os mouros e a força da fé católica. Trazem armas e uma  cruz, simbolo do cristianismo. São cavaleiros que morreram nas cruzadas. Ao passar pelo batel dos danados, são interpelados pelo Diabo, que os requer "Entrai cá! Que cousa é essa?/ Eu não posso entender isto!" Ao que responde um cavaleiro: "Quem  morre por Cristo/ não vai em tal barca, como essa!" Os quatro cavaleiros são recebidos pelo Anjo em seu batel e assim termina a peça.

 Resumo e Análise de O Auto da Barca do inferno - Gil Vicente 


A barca do inferno prefigura o destino das almas que chegam a um braço de mar onde estão ancorados 2 batéis : um, que se dirige para o paraíso, e outro que transporta almas para o inferno: aquela tripulada pelo Anjo esta, pelo Diabo e seu Companheiro. Neste primeiro Auto Gil Vicente faz chegar à margem as almas  representativas das varias classes sociais e profissionais de seu tempo; a nobreza, representada pelo fidalgo, o clero, representada pelo frade amancebado, a mestrial, pelo sapateiro; a judicial, pelo corregedor e pelo bacharel procurador: a dos agiotas e ladroes, pelo judeu, pelo onzeneiro e pela enforcado, a dos mistificadores, pela alcoviteira. Para estes o destino  é inapelavelmente o rumo de satanás. Não obstante todos argumentem co inúmeras razões o seu direito de embarcar no batel do paraíso, apenas se salvam neste primeiro juízo um parvo (porque "deles é o reino do céu") e quatro cavalereiros - que combateram pela fé de cristo.
     É curioso observar que são 3 destinos e apenas 2 barcas ancoradas: a que conduz ao inferno e a que leva ao paraíso. Gil Vicente consegue fixar admiravelmente aqueles diferentes tipos, apresentados-os na sua autencidade  terrena comprometidos como ainda estão  co seu estilo de vida social ou profissional, ou praticando atos incompatíveis co o seu estado: o fidalgo, rompante e fazendo -se acompanhar de que lhe trans porta uma cadeira, o sapateiro, que pretende ingressar na barca com suas ferramentas de trabalho, o judeu, com o bode ás costas; o onzeneiro, com seu bolsão abarrotado, o frade, acompanhado de sua amante e portando armas de esgrimas (as ordenações proibiam aos frades o uso de armas); a alcoviteira, co seus instrumentos de feitiçaria e cirurgia genital; o corregedor co seus processos, a manipula a justiça consoante as propinas  recebidas. Gil Vicente não perde o ensejo para localizar um aspecto do suborno: a mulher do corregedor estas almas trazem, portanto, da terra, os instrumentos da própria culpa. Apenas o parvo e quatro cavaleiros nada trazem: os pobres esprítos têm uma destinação evangélica já garantida para o reino ao bem- aventurança; e os cavaleiros de cristo estão seguras na confiança que lhes dá a conciêcia se seus feitos nas partes d' além. O texto nos mostra dois extremos onde de um lado -estão aqueles que já em vida foram eleitos  pelo senhor (parvo, quatro cavaleiros da fé); e de outro - pelo frade cujos pecados são ta,anhos e cujo divorcio do reino de Deus é tão profundo, a ponto de ser ele a única ala a não merecer audiência do arraias do céu na barca da gloria..  o Frade era o que vinha mais pejado: trazia pela mão apetrechos de esgrima (espada, broquel, capacete) pratica proibida aos clérigos pelas ordenações; apresenta-se desde o inicio assobiando a música de uma passeada (o tordião), típicas dos salões palacianos; e considera que a remissão de suas culpas está em relação direta com o numero de salmos recitados. O cômico do auto ressalta, não do inesperado das situações ou da  modificação do automatismo, mas tão somente da caracterização dos personagens estilística das diferentes personagens, cujo comportamento é um retrato vivo de sua realidade terrena, e a beleza da peça reside, portanto, no realismo dessa caracterização dos personagens , intimamente vinculadas  a realidade material e á sua condição linguística. É  realmente admirável o realismo linguístico do autor: a linguagem do parvo, caracteristicamente desconexa, chula e aś vezes sibilina, a do judeu, com suas tipicas estropiação fonéticas e morfológicas, a do frade, acostumado á sua terminologia interjectiva de juras e invocação á providência, como formulas inturamente vazias de sentido, o do corregedor, entrelaçando na sua gíria profissonal em latim macarrônico (sempre com o intuito de impressionar os incautos) ; a da alcoviteira, astuciosa,lisonjeira e galantemente hipócrita: a peça vale pela palpitante atualidade com que Gil Vicente passou em revista a sociedade de seu tempo, espectadora da própria representação, e advertida numa lição edificante, dos pecados que a privam da sua salvação eterna.

*A obra expõe elementos da transição  entre idade média, renascimento, reliosidade e antropocentrismo.
* É uma peça teatral do humanismo portugues significa que é uma obra do período de transição entre a cultura medieval e a renacentista.
* É importante diferenciar idade média e os momentos de renacentismo do livro .
*Os elementos medievais são: as referencias religiosas, imagens de Deus e do Diabo; a estrutura  do texto: era muito comum  versus na época, e isso usa- se no livro todo." Auto" designação para peça pequena representação teatral ( também comum na idade média).
* já o antropocentrismo e o interesse de Gil Vicente em abordar questões da sociedade humana construindo os tipos, são do renascimento.
*A peça progride em uma estrutura repetitiva onde um personagem chega ao local onde estão duas barcas um vai pro céu outro pro inferno. entra em uma das brcas; e chega outro personagem e assim se sucede.
*A peça que primeiro recebeu o nome de auto da moralidade  ficou conhecida como auto da barca do inferno talvez tenha este nome por que quase todas as almas tem como destino a barca do inferno.
*Cada alma é punida por um único pecado simbólico.
                           
                                           PECADOS
fidalgo - é condenado a barca do inferno por ter levado uma vida tirana cheia de luxuria e pecados.
onzeneiro- condenado pela ganancia, usura e avareza.
parvo - por causa da sua humilde e modéstia sua sentença é a glorificação.
sapateiro - é condenado por roubar o povo com se4u oficio durante 30 anos e por sua falsidade religiosa.
frade - condenado por seu falso moralismo religioso.
brísida vaz - uma mistura de feiticeira com alcoviteira condenada por pratica de feitiçaria,prostituição e alcovitagem (servir de intermediario em relações amorosas).
judeu- desrespeito ao cristianismo.
corregedor e procurador - condenado- os ao batel infernal por usarem o poder do judiciário em beneficio próprio.
enforcado - corrupção nos meios burocráticos.
quatro cavaleiros que morrem nas cruzadas - O fato de morrer pelo triunfo do cristianismo garante a esses personagens uma especie de passaporte para a glorificação.