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As animações antinazistas da Disney

    Era uma vez, um sujeito chamado Walter Elias Disney, mais conhecido como Walt Disney, ele como todo bom patriota, almejava defender seu país. Tentou em 1914 durante a  1º Guerra Mundial, mas por ser menor de idade o máximo que conseguirá foi um posto de piloto em uma ambulância da cruz vermelha após o conflito.

Mas o garotinho se tornou um homem, um artista renomado e conhecido. Em 1939, a 2º Guerra Mundial chegará para aterrorizar alguns milhões de pessoas .... Usou todo seu  talento na produção de filmes e propagandas. O papagaio Zé Carioca e o galo Panchito, foram produtos, fruto do esforço deste patriota para com a campanha de Guerra e a política da boa vizinhança.  Tanto foi o esforço deste homem que, entre 1942 e 1945, os estúdios Disney produziu mais de 68 horas de animação de caráter patriótico e ideológico. A participação da Disney fez com que os EUA passasse a ganhar batalhas sem puxar o gatilho. Outros tentaram combater os EUA com propagandas, Mas era difícil concorrer em popularidade - e em volume de produção - com o pai de Mickey Mouse. Mas essa ajuda não ficou apenas nas telas, já que, a partir de 1942, os estúdios Disney foram transformados em alojamentos e centenas de militares passaram a residir ali. Marinha, exercito e aeronáutica, os personagens inspirados nos oficiais, também foram para as trincheiras. Nos meses seguintes as produções continuaram:

1. As crianças de Hitler (Hitler's Children - Education for Death), 1943


O protagonista aqui é um menino alemão, Hans, que Disney usa para falar da lavagem cerebral nazista. Quando seus pais vão registrá-lo, há uma lista de nomes proibidos, como Franklin e Winston (referencia ao presidente americano e ao primeiro-ministro britânico). Na escola, ele fica de castigo por defender uma lebre numa fábula em que o bicho é comido por uma raposa.

2. Vitória por meio do poder aéreo (Victory Through Air Power, 1943)


O filme é uma aula do uso da aviação como arma de guerra, baseado no livro do major Alexander P. Seversky. Até Santos- Dumont é citado no filme - claro, depois dos irmãos Wright. Há o humor típico dos filmes de Disney, como a metralhadora que vai destruindo a hélice do caça. E Serversky aparece para defender seu ponto de vista: a Aeronáutica, com bombardeiros pesados e caças velozes, poderia decidir o destino da guerra.

3. Você já foi à Bahia? (The Three Caballeros, 1944)
A iniciativa americana de criar e manter alianças na América Latina foi um capítulo especial da diplomacia na 2ª Guerra. Vários países, entre os quais o Brasil, nutriam simpatia pelo nazismo. Um dos fronts da política da boa vizinhança foi a cultura. Zé Carioca é fruto disso. Ele é a estrela de Você Já Foi à Bahia?, de 1944, uma reunião de curtas em que aparecem pinguins da Antártida e um burrico voador argentino. No episódio brasileiro, Zé e Donald contracenam com Aurora Miranda, irmã de Carmen, pelas ruas da Bahia. A coisa piora quando encontram Panchito, o amigo mexicano, que distribui tiros e se encarrega de introduzir uma das cenas mais bregas da história do cinema: a atriz Carmen Molina, cujo rosto aparece no meio de uma flor... Duro aguentar vizinhos assim.

4. Saindo da Frigideira... (Out of the Frying Pan into the Firing Line, 1942)


Com Minnie como protagonista, o desenho, de 3 minutos, molda ações e atitudes dentro do território americano: aqui, as donas de casa devem guardar a gordura que sobra das frituras, útil para a indústria de munição.
    Por fim, o jovem - que na época não era tão jovem, pois tinha 36 anos- Walt transformou seu trabalho em uma grande arma e conseguiu persuadir um grande público, servindo de grande ajuda para seu país ajudando-o a ganhar a guerra sem ao menos apertar o gatilho. E assim viveram felizes para sempre ...
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" O mundo no globo, o globo no mundo"



Para aqueles que acreditam que vivemos em um país democrático onde as pessoas tem total liberdade de escolha e expressão... está enganado !
Aquele que pensa desta forma, ainda não avaliou profundamente o método de conduta dos meios de comunicações.

A Rede Globo se orgulha pelo fato de que apenas três redes de televisão americana são maiores que ela, mas nenhuma tão poderosa¹, ela fabrica verdades de acordo com seus interesses políticos econômicos e sociais, não é a toa que, a família Marinho é a maior força política do país. Fundada em 26 de abril de 1965, pouco mais de um ano após o golpe militar. Roberto Marinho era dono da emissora. Seu pai fundou o jornal O Globo em 1925, mas morreu logo depois, deixando de herança para os filhos – aos 26 anos, em 1931, Roberto Marinho se tornou diretor do jornal, na década de 1940 ele inaugurou a Radio Globo. Teve sua primeira concessão de TV em 1957 do presidente Jucelino Kubitschek (cujo governo ele apoiava) e a segunda de João Goulart (cujo governo ele ajudou a derrubar).

“O Globo tinha uma posição de apoio aos governos revolucionários porque o dr, o jornalista Roberto Marinho apoiou a Revolução de março de 1964 desde antes dela eclodir. Ele foi revolucionário de primeira hora e continuou, portanto como revolucionário a apoiar os governos da revolução” (Falcão, Armando)

O Brasil possui um sistema chamado de “capitalismo selvagem”, onde está entre os dez maiores PIBs do mundo, porém a desigualdade social é alarmante. Os programas de televisão buscam audiência e por isso usam um baixo nível cultural em sua programação para acompanhar a grande massa e gerar lucros, a partir desse pensamento surgem programas como: O melhor do Brasil, Eliana, Domingão do Faustão, Domingo legal, Pânico na Band, entre outros. Formando um ciclo vicioso, pois os programas são feitos para as camadas mais populares e essa grande massa acaba perdendo o raciocínio e o senso critico, graças ao alto consumo destes programas cheios de sensacionalismo (é o fator que causa esta perda do senso critico).

Apesar de nunca ter sido formulada academicamente, a Teoria da Agulha Hipodérmica cujo o termo foi cunhado por Lasswel, (baseada na ideia de causa-efeito) diz que o individuo absorve tudo aquilo que lhe é passado pelos meios de comunicação, sem qualquer interferência de outro meio ou uma reflexão crítica. A informação nos seria injetada como uma agulha hipodérmica, e nada poderíamos fazer sobre isso. Os efeitos da comunicação seriam diretos tornado o público um ser passivo.

Devo ressaltar a diferença entre publicidade e propaganda: a primeira vende produtos, e a segunda, de uma maneira passiva, impõe ideologias. Fazendo com que o individuo se sinta na necessidade de ter determinado produto ou de usufruir determinado serviço. Mas apenas uma parte da população pode pagar pelos serviços e produtos anunciados na televisão.


As organizações Globo foram construídas com um superinvestimento do governo militar em telecomunicações, que da suporte para que nasça uma das maiores redes de TV do mundo. Futebol, carnaval, novelas são transmitidos no Brasil com imagens maravilhosas, enquanto a saúde e educação são abandonadas, mas o povo sob controle total da rede Globo (pão e circo ao povo). Em troca ela só mostrava o que era conveniente ao governo militar, AI5, sequestro do embaixador americano, bombardeio do teatro, tudo isso era proibido de ser exibido na televisão, porém, a Rede Globo foi além do que era solicitada ela, passava as noticias distorcida da realidade (claro!) colocando a culpa dos ataques nos militantes de esquerda e deixado os militares como vitimas.

“Era televisão e futebol… se construísse estádios de futebol e essa rede de telecomunicações impressionante no Brasil inteiro. E ao mesmo tempo, houve uma degradação muito grande em termos de educação saúde, tudo isso foi descuidado” (Buarque, Chico).

“... tive que desistir, proibiam minhas músicas, ma censura proibia umas músicas minhas, a censura oficial, do governo. Agora a TV Globo se encarregou de ser mais realista que o rei de reforçar essa censura proibindo o meu nome...” (Buarque, Chico)

A Globo centralizou todas as produções no Rio de Janeiro, logo após o incêndio no estúdio de São Paulo, o seguro pago ajudou a Rede Globo a impulsionar a construção de uma rede. O governo militar fornecia cerca de 30% dos gastos em propaganda, pagava por algumas propagandas e outras decretavam que deveria ir ao ar de graça, a lista de assuntos que eram censurados na TV eram enormes. A ordem proibindo a menção de algum acontecimento era frequentemente enviada aos jornalistas antes mesmo que acontecesse, por exemplo: o senhor está proibido de noticiar o sequestro que acontecerá amanha . A TV Globo muitas vezes foi além, transformou pessoas em não pessoas.

Em 1979 o general Figueiredo se tornou o quinto e ultimo presidente militar, com a promessa de dar abertura à democracia; no ano seguinte a TV Tupi acabou indo a falência de vez e sua concessão foi cancelada. O presidente deu duas concessões para a Manchete, e para Silvio Santos, para o SBT isso porque provavelmente nenhum dos dois incomodaria o regime. A Rede Globo continuou sua expansão, Roberto Marinho e o presidente inaugurava uma nova filhada, propriedade de um deputado pró-regime militar. Depois de duas décadas de regime militar, o número de aparelhos televisores aumentaram para mais de 23 milhões, Roberto marinho ficou riquíssimo, era o civil mais poderoso do Brasil. E com o fim do regime militar seu poder cresceu ainda mais. E ao fim do regime militar o Brasil havia lançado dois satélites, os militares gastaram durante o regime militar 14 milhões de dólares em propaganda. Roberto Marinho era odiado no mundo, mas temido no Brasil porque sozinho conseguia controlar o acesso a milhões com habito global. Com a aproximação da democracia, Roberto Marinho apoia Tancredo neves para presidente, Tancredo era um velho e respeitado estadista e membro da oposição durante a ditadura.

Tancredo Neves ganha as eleições para presidente e logo anuncia Antônio Carlos Magalhães - era governador da Bahia - como ministro das telecomunicações (que era amigo de Roberto Marinho), Tancredo morre antes de assumir a presidência, e seu vice José Sarnei assume, mantendo Magalhães como ministro das telecomunicações… ele cancela o contrato da NEC do Brasil (era um dos principais fornecedores de equipamentos de telecomunicações) que passa há valer muito pouco e logo é comprada pela Rede Globo, Antônio Carlos volta com o contrato com a NEC do Brasil com o Governo Federal, com isso a Rede Globo ganha 350 milhões rapidamente. Em troca Antônio Carlos ganha algumas concessões da Rede Globo Bahia, durante o mandato de Sarnei ele da noventa concessões de TV, ganhando duas afiliadas da Rede Globo.

Se eu fosse um presidente e tivesse o poder de dar uma licença ou concessão a alguém, eu jamais daria a um inimigo” (Furtado, Romulo)

Em 1982, Leonel Brizola, líder de esquerda, volta do exilio para se candidatar como governador do Rio de Janeiro, contra o candidato militar. A Rede Globo distorcendo pesquisa de IBOPE, mostrou ao público que Leonel perderia as eleições; porém poucos do Rio acreditavam nisso. O resultado das eleições veio lentamente por parte da Globo, foi até adiado…
Depois das eleições houve uma tentativa por parte dos militares de alterar os resultados das eleições, roubando as urnas com votos de Brizola para garantir a vitória do candidato militar. Eles sabiam que depois a Rede Globo faria com que o povo aceitasse o resultado, era um golpe em cima do golpe popular.

E essa não foi a ultima vez que a Rede Globo tenta manipular as eleições, a vitória de Fernando Collor de Mello não seria possível sem a estratégia de marketing da Rede Globo. Collor disputava as eleições para presidente contra Luís Inácio Lula da Silva. Lula era presidente do sindicato metalúrgico, fundou o Partido dos Trabalhadores (PT) ele era um homem que batalhava pelo povo, o povo o queria no poder. Mas a Rede Globo vendo isso, decidiu editar a fita do segundo debate entre Lula e Collor, o Jornal Nacional exibiu um resumo de 6 minutos que foi feito especialmente para deter Lula e eleger Collor. Depois disso, eles fizeram uma pesquisa com os telespectadores, onde as preguntas eram vagas e não se perguntava em quem eles iriam votar, Collor ganhou de Lula em todas as perguntas. Claro que essa intervenção pode não ter sido decisiva, porém foi um fator muito importante.

Cem dias depois de assumir o mandato, Collor, cria um plano um tanto ousado e polemico chamado “Plano Collor I” voltado ao combate da inflação que atingia 80% ao mês. O Plano confiscou a poupança dos brasileiros, ou seja, todos os brasileiros que tinham dinheiro guardado em sua poupança, o governo apanhou este dinheiro e os brasileiros não receberam nada em troca, até hoje. Logo após, surge a primeira denuncia de tráfico de influencias envolvendo o tesoureiro da campanha de Collor, esse era só o inicio de muitas denuncias que surgiria. Mas foi em 1992 que tudo que as denuncias chegaram em um ápice, foi quando o irmão do presidente Pedro de Mello deu uma entrevista a revista veja denunciando o esquema de corrupção do PC, com a denuncia confirmada Collor foi deposto e teve os direitos políticos cassados por 10 anos, o queridinho da Rede Globo logo se tornou odiado por muitos inclusive pela própria, que logo depois do ocorrido fez campanha contra o ex-presidente. Hoje ele é governador do estado de Alagoas, desfruta de seu prestigio que mesmo depois de tudo o que ocorreu, depois de ter sido o primeiro e único presidente deposto, consegue se candidatar como governador.

A partir de então temos uma mudança de cenário, o aparelho que era utilizado para conquistar aliados para a guerra, passa a “produzir” seres passivos e consumidores. O individuo que antes buscava por cultura passa então a utilizar o seu horário de lazer a frente da TV assim, as pessoas passam a se acomodar, já que o cidadão que senta em frente a TV para se distrair ou esquecer sua rotina cansativa, passa a adquirir esses mesmos valores através da televisão, seus gostos se padronizam, novelas, filmes, jornais entre outros meios de comunicação passam a ser vendidos como bens de consumo assim como roupas e sapatos, industrias culturais.








[1] Documentário: Muito Além do Cidadão Kane

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Cybercultura




C
omo consequência da globalização temos a massificação dos meios de comunicação: rádio, TV, Jornais, revistas e etc. E ao adota – los como meios de lazer, a indústria cultural passa a produzir qualquer banalidade em grande escala, qualquer coisa que de dinheiro a eles. E para que eles tenham seres passivos e consumistas é preciso extinguir ideias, culturas, refazer hábitos. Dessa forma criam seres consumistas cuja consequência é uma massa alienada, e sem incapacidade de julgar e desenvolver senso critico. 

Não sei ao certo quem inventou a TV, pois, esta ideia passou pelas mãos de vários físicos, químicos e cientistas. Mas no século XIX já havia uma “preocupação” por parte dos cientistas em construir algo que transmita imagens lugares diferentes, mas este instrumento só foi inaugurado anos mais tarde. Por isso afirmo que, os inventores já sabiam o efeito que este aparelho causaria na sociedade.

No Brasil no inicio do século XX São Paulo tinha um fraco desenvolvimento industrial em função da riqueza acumulada pela produção cafeeira. A cidade foi palco de manifestações culturais. Então se tinha muitos artistas e críticos, escrevendo livros e musicas com criticas voltadas para a sociedade, era comum encontrarmos nas obras temas como: nacionalismo, a preocupação com o desenvolvimento social, solidariedade à igualdade social era um movimento de ruptura com a tradição clássica da arte.

E neste período de 1922 a 1980 temos o surgimento de vários artistas: Noel Rosa, Pixinguinha, Vila – Lobos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Na pintura temos: Tarsila do Amaral, Anita Malfati. No cinema: Charlie Chaplin, Friench Murnau (nosferatu), Cidadão kane. Na literatura: Carlos Drummond, Jorge Amado, Oswald Andrade, Manuel Bandeira, Cecilia Meireles entre outros. Portanto as pessoas que tinham acesso a estas obras, adquiria um senso critico.

As musicas eram constituídas por poesias, contextos políticos da época, metáforas, enfim, mostrava a cultura brasileira. Diferente da maioria das musicas contemporâneas o homem declarava o seu amor pela mulher de uma maneira delicada, profunda. Para que isso fique mais claro Peguemos a letra da musica Chão de Giz de Zé Ramalho onde ele fala de um amor não correspondido:

“Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de
vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra
vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar

Meus vinte anos de boy, that's over baby! Freud
explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval
E isso explica por que o sexo é assunto popular.”



Agora pegarei a musica Camaro Amarelo de Munhoz e Mariano e é o mesmo tema: um amor não correspondido.

“Agora eu fiquei doce, doce, doce, doce.
Agora eu fiquei dodododo doce, doce.

E agora eu fiquei doce igual caramelo,
To tirando onda de Camaro amarelo.
E agora você diz: vem cá que eu te quero,
Quando eu passo no Camaro amarelo.

Quando eu passava por você,
Na minha CG você nem me olhava.
Fazia de tudo pra me ver, pra me perceber,
Mas nem me olhava.

Aí veio a herança do meu véio,
E resolveu os meus problemas, minha situação.
E do dia pra noite fiquei rico,
To na grife, to bonito, to andando igual patrão.

Podemos ver claramente em cada musica como o autor se refere à mulher, apesar de naquela época (desde á baixa idade média até o final do século XX) o machismo predominar, a primeira música Zé tem um amor não correspondido, ele cita até Freud para dizer o quanto este amor era complexo, ao ver que a mulher não quer nada além de sexo com ele, o próprio decide partir, ir embora para se livrar desse amor que o acorrenta, está presente também à utilização de metáforas como: “Há tantas violetas velhas sem um colibri” para dizer que á tantas mulheres velhas, porém, bonitas, sem um jovem que a ama ao teu lado (colibri)… Ele utiliza o termo: “Não vou me sujar fumando apenas um cigarro” para se referir de sexo. Na segunda musica o autor também tinha um amor não correspondido, mas ele ficou rico e de repente a mulher passou a amar ele, ele fica “doce”, ou seja, “não me rele não me toque”. Nesta musica já mostra que a mulher é interesseira (em 1978 em cidades do interior era comum os pais arrumarem casamentos para suas filhas, e como a mulher não trabalhava ela teria que casar com um homem rico que a sustentasse, isso no contexto da musica de Zé Ramalho. Mas hoje os tempos mudaram as mulheres são independentes trabalham fora, então não faz sentido a segunda musica generalizar que a mulher só quer um “cara” rico). E se o rapaz da segunda musica gostava da moça, cadê o amor? Só porque ele ficou rico o amor acabou? . Termos como: le le le, tchu tcha, toy toy toy são utilizados para falar sobre sexo, enquanto se pegarmos a musica flor da idade de Chico Buarque ele utiliza o termo: “a gente coça, se roça e só se vicia”. A cultura industrial está fazendo com que as musicas fiquem muito vulgares para falar de amor e sexo.

Também era comum musicas de protestos, riquíssimas em contexto políticos e para este exemplo usarei uma musica que o professor Rosevaldo[1] trabalhou conosco em sala, o nome da musica é Cálice, uma composição de Chico Buarque e Gilberto Gil.

“Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)”

As musicas contemporâneas também são cheias de contextos políticos, só que ao invés de protestar elas fazem uma apologia ao capitalismo, são letras recheadas de marcas de luxo. O trecho a seguir é da musica Top do momento do Mc Danado.

“Vida é ter um hyundai e uma hornet
10 mil pra gastar rolex e juliet
Melhores kits, varios investimento
Ai como é bom, ser o top do momento (2x)

Chega final semana de dia praia e de noite balada
Então pegue o gascan, oakley portando
Pesado de ouro, pesado de prata
Tem que ser zika do baile
Mandar no freestyle, mlk pentelho
Pescoço das novinhas entorta
Pro zika que porta que usa aparelho
É ostentação que elas quer ?
É o luxo que elas vai ter
Viu meu bonde embrazar r1
Sente o ronco da minha xt
De rolé nois ta de santa fé
Se ta sol nois ta de repsol
Porque eu sou rei da balada
Como o pelé era rei do futebol
Juliet romeo 2
De ferrari ou doce gabanna
É meu jeito ruim que elas gosta
É do meu malote que elas se apaixona...”

Na musica Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil utilizam metáforas (de trechos bíblicos) para narrar á opressão causada pela ditadura no Brasil. O termo cálice ali usado mostra a ambiguidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale – se”, mostrando a atuação da censura no período do regime militar, a musica retrata o sangue derramado devido às torturas, o eu - lírico expressa a vontade de se libertar de toda essa repressão.

o funk Top do momento incentiva o consumismo, reparem em quantas marcas famosas se tem na musica: Hyundai, Hornet, rolex, gascan, Oakley, r1, xt, repsol, Ferrari, gabbanna, santa fé… onze marcas famosas que não saem por menos de mil reais cada uma, imagina uma criança ouvindo isso?! Ela irá crescer pensando: “para eu ser o “cara” do momento e ter todas as “novinhas” terei que ter tudo isso, além de dez mil todo final de semana para gastar nos bailes funks”.

O funk carioca surgiu para acompanhar o declínio da população, já que o essencial é algo invisível aos olhos humanos, às pessoas só veem aquilo que querem e que lhe é passado e nada, além disso, por isso nas letras de funk como qualquer outra musica contemporânea não há presença de metáforas, mas sim do vocabulário chulo que é algo que não necessita ser interpretado e é fácil de memorização, assim cai no gosto do “povo”.

Mas o povo brasileiro naquela época não tinha interferência alguma da indústria cultural, o único fator que fazia a maior parte das pessoas não terem o senso critico era o pensamento machista da época e claro a visão da Igreja Católica.

Em 1950 surgiu a TV no Brasil e então tivemos cinema, rádio, teatro e etc. no inicio era algo mais cultural do que alienante já que apareciam apenas ideologias de guerra, naquela época pós – Segunda Guerra Mundial, eles queriam aliados para a guerra fria e a ditadura no Brasil. A politica e a ciência passa então a ser utilizados como forma de alienação, impedindo com que as pessoas enxerguem o seu estado de realidade.




[1] Professor de história da escola Maria do Carmo Barbosa e do Cursinho Gauss