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Alienação

1.3 - Alienação


       Segundo os dicionários, a sua definição mais primaria seria, o estado de separação ou alheação de uma pessoa com uma coisa que lhe pertencia, a partir deste significado, podemos ver que, a vários tipos de alienação.
Mas eu falo de uma alienação especifica a alienação social. Se alguém está alienado da sociedade é porque ele esta separado dos problemas coletivos e transfere suas responsabilidades sócio – política aos outros, governo, autoridade, ONGs ou qualquer pessoa que assuma tamanha responsabilidade. Sendo alienado a pessoa não participa da construção da integridade social do pais, mesmo que esteja participando econômico – financeiro da região, como empregado ou empregador e pagando impostos, pois isso são formas indireta de participação social.
       Ela ocorre quando o individuo vive alheio, por indução cultural constante de problemas relacionados à sociedade, política ou cultura. Por exemplo: a pessoa vê diariamente o Jornal Nacional noticiar políticos corruptos, logo ela vai pensar que a política está “perdida” e que o sujeito que rouba não recebe punição, a partir daí, “cria – se” um sujeito que logo mais irá votar no tiririca. De tanto assistir noticiários policiais, mostrando violência, sangue, ele se acomoda com ela desde que não o afete. A violência, degradação do meio ambiente, ônibus superlotado, caos no transito, só lhe interessam para suprir suas conversas com seus amigos, por isso vemos pessoas conversando sobre determinado problema, mas não se move para resolve – lo. O que realmente vale a essa pessoa é o ultimo capitulo da novela, o hit de verão, as imagens sensuais de um reality show, vitória de seu time de futebol, mulheres dançando seminua na avenida (carnaval). Especialistas acreditam que há um tipo de individuo alienação média, que seria a pessoa que reconhece os problemas da sociedade, gosta de estar bem informado, mas não luta para fazer nada, uma pessoa para mim que reconhece, mas não toma atitude nenhuma é o mesmo dos que não reconhece o problema.
Como resultado dessa alienação temos o individualismo, que também esta ligada ao materialismo e ao consumismo que são as principais características capitalistas do século XX. As metas das pessoas passam a ater metas como: um emprego altamente remunerado, um carro de luxo, gastar fortunas nas horas de lazer, comportamento, designado aos mais de 60% da população pobre do Brasil que vive uma vida de trabalho duro e o custo de vida alto e sonha em um dia ganhar na loteria para ficar rico e ter acesso aos desejos capitalistas. Em resumo, o individualismo é quando o sujeito só pensa na sua vida pessoal, nas suas metas, e esquece de todo o resto em sua volta.

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Definição de cultura de massa



1 - O que é cultura?
Podemos dizer que, o termo “cultura” é um dos mais complexos da nossa língua, etimologicamente falando, o conceito de cultura, é derivado do de “natureza”. Um dos seus significados é “lavoura” ou “cultivo agrícola”, o que cresce naturalmente. Além disso, podemos relacionar o termo “cultura” com o de “agricultura”, uma vez que cultura é “plantada” e “cultivada” pelo povo. Se a natureza de alguma forma é cultural, então as culturas são construídas com base no trafego com a natureza que chamamos de trabalho. Em resumo, a cultura pode ser aproximada a um complexo de valores, costumes crenças e politicas que constituem o modo de vida de um grupo especifico.




1.2 - O que é massa?


O papa pio XII[1] definiu o termo “massa” do modo mais claro e objetivo possível. Seu conceito de massa se desenrolou da seguinte forma:

“A massa não passa de um conjunto de indivíduos que não se movem, mas são movidos por paixões. A massa é sempre, e necessariamente, passiva. Ela não age racionalmente e por sua conta, mas se alimenta de entusiasmos e ideias não estáveis. É sempre escrava das influências instáveis da maioria, das modas e dos caprichos que passam.

[...]

Como animais que temem desgarrar-se do rebanho, os indivíduos que compõem a massa jamais discordam da maioria.

[...]

A inserção na massa lhe impõe que se visita como os outros, que coma como os outros, que goste do que gostam os outros.

Ser pensar, agir, estar sempre, obrigatoriamente, “como os outros” é amoldar- se a esse implacável “Deus” chamado “todo mundo”. É renunciar á própria individualidade, trocando-a pelo amorfo e medíocre “eu coletivo” da multidão.

Inserir-se na massa é socializar a si mesmo.

A massa é, portanto, o povo degenerado.”

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O que levaria um individuo ao estado de alienação ?




       Alguns motivos levaria um cidadão a chegar a esse estado de alienação: A massificação dos meios de comunicação. Antes possuía – se um cenário onde havia uma cultura; uma exaltação dela através de obras literárias, e das músicas. Porém, não existia a massificação dos meios (divulgação), então não havia algo que “alienasse” as pessoas. Mas, depois com a massificaram os meios de comunicação, passa – se a produzir qualquer coisa que desse dinheiro. Deste modo, essa massificação foi além do pensamento econômico, foi usada como ferramenta de manobra (econômico / social / religioso). Antes tinha- se muitos protestos, passeatas nas ruas. Com ela, ficou fácil alienar as pessoas. Deixa–las do seu lado (governo), (religião), do que tê-las fazendo manifestações.

       A falta de investimento na educação,é fato, mas não preponderante, entretanto, contribui para uma massificação na impossibilidade do saber. Do mesmo modo que tem - se salas superlotada com a atenção somente para com aqueles que nada sabem alienados no ter despreocupados com o saber. O estado também é alienado já que quer produzir alunos em serie e computar o investimento.

       Cultura custa caro e é para poucos, todo o “material” que te leve a ter um senso critico, custa caro.

       O comodismo das pessoas auxilia bastante para que esta indústria crie cada vez mais uma cultura de baixo nível. Se alguém cria um blog ou uma pagina na internet, para atrair o publico, ela terá que usar notícias sobre violência, moda, fofocas, etc. Nesta visão, hoje em dia, se dissemina o bullying. É comum ter propagandas contra o bullying, mas este problema, enfrentado também pelas escolas, está também nas TV’s em forma de humor, fazendo sucesso. Prega a liberdade, que não há limites para o humor, quer dizer, o único limite é o bolso, quando algum funcionário é processado, mas só quando incomoda algum burguês que tenha dinheiro para processá – lo.
       Todos esses meios faz “obrigatoriamente” com que as pessoas sejam, pensem, vistam e comportem “como os outros”. E assim temos um conjunto de indivíduos passivos, que são movidos por paixões, não agindo por conta própria, mas pelas influencias e caprichos da maioria e como dizia o Papa Pio XII é amoldar – se a esse poderoso “Deus” chamado “todo mundo”. Por fim, esses meios tendem a se uniformizar.

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as telenovelas moldando o Brasil




Estudiosos tele novelísticos, afirmam que a dramaturgia das telenovelas já é um consumo cultural e que elas não trazem nenhum beneficio para o desenvolvimento sociocultural, pois, “o retrato da vida real”, é distorcido por um dispositivo ideológico ou mitológico. Segundo o diretor - de núcleo de novelas da Rede Globo – Daniel Filho o objetivo da emissora é atingir o maior numero de publico possível, para o sucesso da trama. E para isso acontecer as tramas precisam ter conflitos em todas as faixas etárias, classes sociais, no que se resumem conflitos sociais em conflitos sentimentais.

As novelas no Brasil são exibidas quando os primeiros doze capítulos estão prontos, os outros são escritos baseados em pesquisa de audiência. Além do mais, as novelas são muito utilizadas para movimentar a indústria cultural, bonecas baseadas em personagens, CDs com trilha sonora, roupas e adereços dos personagens entre outros. A questão é que viram moda e acabam movimentando o comercio. Elas retratam temas polêmicos e da atualidade, isso faz com que o público se identifique com tal personagem, prendendo a atenção do telespectador. Os custos para a produção desse “consumo cultural” é um absurdo, somente um capitulo varia de 15 a 100 mil dólares.

“Porque não é um projeto que esqueceu da pobreza, da periferia. Contemplou, porque se esquecesse não daria certo. Contemplou, mas contemplou maquiando a pobreza e apontando uma perspectiva de ascenção pelo trabalho pelo investimento” (Kerhl, Rita Maria)
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Cybercultura




C
omo consequência da globalização temos a massificação dos meios de comunicação: rádio, TV, Jornais, revistas e etc. E ao adota – los como meios de lazer, a indústria cultural passa a produzir qualquer banalidade em grande escala, qualquer coisa que de dinheiro a eles. E para que eles tenham seres passivos e consumistas é preciso extinguir ideias, culturas, refazer hábitos. Dessa forma criam seres consumistas cuja consequência é uma massa alienada, e sem incapacidade de julgar e desenvolver senso critico. 

Não sei ao certo quem inventou a TV, pois, esta ideia passou pelas mãos de vários físicos, químicos e cientistas. Mas no século XIX já havia uma “preocupação” por parte dos cientistas em construir algo que transmita imagens lugares diferentes, mas este instrumento só foi inaugurado anos mais tarde. Por isso afirmo que, os inventores já sabiam o efeito que este aparelho causaria na sociedade.

No Brasil no inicio do século XX São Paulo tinha um fraco desenvolvimento industrial em função da riqueza acumulada pela produção cafeeira. A cidade foi palco de manifestações culturais. Então se tinha muitos artistas e críticos, escrevendo livros e musicas com criticas voltadas para a sociedade, era comum encontrarmos nas obras temas como: nacionalismo, a preocupação com o desenvolvimento social, solidariedade à igualdade social era um movimento de ruptura com a tradição clássica da arte.

E neste período de 1922 a 1980 temos o surgimento de vários artistas: Noel Rosa, Pixinguinha, Vila – Lobos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Na pintura temos: Tarsila do Amaral, Anita Malfati. No cinema: Charlie Chaplin, Friench Murnau (nosferatu), Cidadão kane. Na literatura: Carlos Drummond, Jorge Amado, Oswald Andrade, Manuel Bandeira, Cecilia Meireles entre outros. Portanto as pessoas que tinham acesso a estas obras, adquiria um senso critico.

As musicas eram constituídas por poesias, contextos políticos da época, metáforas, enfim, mostrava a cultura brasileira. Diferente da maioria das musicas contemporâneas o homem declarava o seu amor pela mulher de uma maneira delicada, profunda. Para que isso fique mais claro Peguemos a letra da musica Chão de Giz de Zé Ramalho onde ele fala de um amor não correspondido:

“Disparo balas de canhão
É inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar, quem sabe, uma camisa de força ou de
vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar, gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão, na lona vou a nocaute outra
vez
Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar

Meus vinte anos de boy, that's over baby! Freud
explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes, já passou meu carnaval
E isso explica por que o sexo é assunto popular.”



Agora pegarei a musica Camaro Amarelo de Munhoz e Mariano e é o mesmo tema: um amor não correspondido.

“Agora eu fiquei doce, doce, doce, doce.
Agora eu fiquei dodododo doce, doce.

E agora eu fiquei doce igual caramelo,
To tirando onda de Camaro amarelo.
E agora você diz: vem cá que eu te quero,
Quando eu passo no Camaro amarelo.

Quando eu passava por você,
Na minha CG você nem me olhava.
Fazia de tudo pra me ver, pra me perceber,
Mas nem me olhava.

Aí veio a herança do meu véio,
E resolveu os meus problemas, minha situação.
E do dia pra noite fiquei rico,
To na grife, to bonito, to andando igual patrão.

Podemos ver claramente em cada musica como o autor se refere à mulher, apesar de naquela época (desde á baixa idade média até o final do século XX) o machismo predominar, a primeira música Zé tem um amor não correspondido, ele cita até Freud para dizer o quanto este amor era complexo, ao ver que a mulher não quer nada além de sexo com ele, o próprio decide partir, ir embora para se livrar desse amor que o acorrenta, está presente também à utilização de metáforas como: “Há tantas violetas velhas sem um colibri” para dizer que á tantas mulheres velhas, porém, bonitas, sem um jovem que a ama ao teu lado (colibri)… Ele utiliza o termo: “Não vou me sujar fumando apenas um cigarro” para se referir de sexo. Na segunda musica o autor também tinha um amor não correspondido, mas ele ficou rico e de repente a mulher passou a amar ele, ele fica “doce”, ou seja, “não me rele não me toque”. Nesta musica já mostra que a mulher é interesseira (em 1978 em cidades do interior era comum os pais arrumarem casamentos para suas filhas, e como a mulher não trabalhava ela teria que casar com um homem rico que a sustentasse, isso no contexto da musica de Zé Ramalho. Mas hoje os tempos mudaram as mulheres são independentes trabalham fora, então não faz sentido a segunda musica generalizar que a mulher só quer um “cara” rico). E se o rapaz da segunda musica gostava da moça, cadê o amor? Só porque ele ficou rico o amor acabou? . Termos como: le le le, tchu tcha, toy toy toy são utilizados para falar sobre sexo, enquanto se pegarmos a musica flor da idade de Chico Buarque ele utiliza o termo: “a gente coça, se roça e só se vicia”. A cultura industrial está fazendo com que as musicas fiquem muito vulgares para falar de amor e sexo.

Também era comum musicas de protestos, riquíssimas em contexto políticos e para este exemplo usarei uma musica que o professor Rosevaldo[1] trabalhou conosco em sala, o nome da musica é Cálice, uma composição de Chico Buarque e Gilberto Gil.

“Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)”

As musicas contemporâneas também são cheias de contextos políticos, só que ao invés de protestar elas fazem uma apologia ao capitalismo, são letras recheadas de marcas de luxo. O trecho a seguir é da musica Top do momento do Mc Danado.

“Vida é ter um hyundai e uma hornet
10 mil pra gastar rolex e juliet
Melhores kits, varios investimento
Ai como é bom, ser o top do momento (2x)

Chega final semana de dia praia e de noite balada
Então pegue o gascan, oakley portando
Pesado de ouro, pesado de prata
Tem que ser zika do baile
Mandar no freestyle, mlk pentelho
Pescoço das novinhas entorta
Pro zika que porta que usa aparelho
É ostentação que elas quer ?
É o luxo que elas vai ter
Viu meu bonde embrazar r1
Sente o ronco da minha xt
De rolé nois ta de santa fé
Se ta sol nois ta de repsol
Porque eu sou rei da balada
Como o pelé era rei do futebol
Juliet romeo 2
De ferrari ou doce gabanna
É meu jeito ruim que elas gosta
É do meu malote que elas se apaixona...”

Na musica Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil utilizam metáforas (de trechos bíblicos) para narrar á opressão causada pela ditadura no Brasil. O termo cálice ali usado mostra a ambiguidade da palavra “cálice” em relação ao imperativo “cale – se”, mostrando a atuação da censura no período do regime militar, a musica retrata o sangue derramado devido às torturas, o eu - lírico expressa a vontade de se libertar de toda essa repressão.

o funk Top do momento incentiva o consumismo, reparem em quantas marcas famosas se tem na musica: Hyundai, Hornet, rolex, gascan, Oakley, r1, xt, repsol, Ferrari, gabbanna, santa fé… onze marcas famosas que não saem por menos de mil reais cada uma, imagina uma criança ouvindo isso?! Ela irá crescer pensando: “para eu ser o “cara” do momento e ter todas as “novinhas” terei que ter tudo isso, além de dez mil todo final de semana para gastar nos bailes funks”.

O funk carioca surgiu para acompanhar o declínio da população, já que o essencial é algo invisível aos olhos humanos, às pessoas só veem aquilo que querem e que lhe é passado e nada, além disso, por isso nas letras de funk como qualquer outra musica contemporânea não há presença de metáforas, mas sim do vocabulário chulo que é algo que não necessita ser interpretado e é fácil de memorização, assim cai no gosto do “povo”.

Mas o povo brasileiro naquela época não tinha interferência alguma da indústria cultural, o único fator que fazia a maior parte das pessoas não terem o senso critico era o pensamento machista da época e claro a visão da Igreja Católica.

Em 1950 surgiu a TV no Brasil e então tivemos cinema, rádio, teatro e etc. no inicio era algo mais cultural do que alienante já que apareciam apenas ideologias de guerra, naquela época pós – Segunda Guerra Mundial, eles queriam aliados para a guerra fria e a ditadura no Brasil. A politica e a ciência passa então a ser utilizados como forma de alienação, impedindo com que as pessoas enxerguem o seu estado de realidade.




[1] Professor de história da escola Maria do Carmo Barbosa e do Cursinho Gauss